Ansiedade E Medo

Para entender nossa ansiedade, precisamos entender o que nos aflige. Tememos o quê? Qual nosso maior medo? Já deixou alguma oportunidade escapar por temer algo? Se sente culpado por possuir determinado medo? Exercitar esses questionamentos é essencial, porque a ansiedade está ligada diretamente ao conceito de medo, ambas palavras possuem definições muito semelhantes.

Ansiedade é um estado psíquico de apreensão ou medo provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa. Grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia.

Medo é um estado emocional que surge em resposta a consciência perante uma situação de eventual perigo. Temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio.

Todo mundo carrega o medo e esse medo não está ligado apenas à coisas ruins, podem ser coisas aparentemente boas. Tudo que você possui receio está ligado à sua experiência de vida. Podemos ter medo da violência, de sair, se divertir, da fatalidade, da felicidade, de ter e de perder, de amar e ser traído, de amar e não ser correspondido, de dizer eu te amo e dizer adeus, de mudar e se renovar, do escuro, dos fenômenos incontroláveis da natureza, da morte, do arrependimento, de enlouquecer, de esquecer momentos afetivos e alegres, do envelhecimento, de fracassar, de se expor e passar vergonha, de magoar alguém querido, da verdade, da responsabilidade, de se casar e se divorciar, do desemprego, da guerra, do marasmo, da solidão, do futuro.

Temos medo da realidade nua e crua, do inevitável, daquilo que não podemos consertar. A vida pode se apresentar muito cruel em algum momento, mas é preciso encará-la e mesmo com medo, temos que lembrar de viver, pois não sabemos se existe algum tipo ou resquício de vida pós-morte. A existência da vida e seus eventos só acontecem pra quem está vivo. Não há muito sentido em não viver plenamente por medo de sofrer e errar, quando temos a certeza de que a morte vem para todos, sem escapatória, apenas podemos aproveitar o agora. Sem saber como será o amanhã, mesmo com seus planos agendados, a morte não tem medo da precaução e não pede licença. A coragem deve ser praticada para enfrentar todos os “não” e “sim”, antes de todos os medos se cessarem quando houver o inevitável fim.

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“The Drowned Cathedral” de 1929

É compreensível que esqueçamos desses fatos, pois temos dificuldade de lembrá-los quando enganamos nossa mente na maré do cotidiano, que nos leva muitas vezes sem tomarmos a direção do nosso próprio barco, enquanto ainda há tempo de traçar uma nova rota para o futuro.

O medo é necessário para nossa sobrevivência. Você está agora lendo esse texto, porque seus antepassados sobreviveram por sentirem medo e lutarem, assim a espécie humana foi perpetuada. Mas até que ponto é preciso sentir medo? Quando o medo vira doença? Em tempos de pandemia, todos estamos lidando com uma situação limite, experimentando antigos e novos medos, sentindo ansiedade, e pensando no amanhã, alguns se reviram na cama, têm seu sono perdido, percebem a estabilidade e saúde mental em perigo, vivendo a indesejada sensação de risco seja na vida pessoal, familiar, profissional ou social.

Quem vive a vida de modo desgovernado, sem olhar para os lados ao atravessar, ao dirigir em alta velocidade e etc, está apostando na própria sorte, sendo inconsequente. Todos devemos possuir uma certa medida de medo diante dos perigos existentes. Isso é um comportamento saudável e não autodestrutivo. Mas, às vezes, precisamos agir diante de situações temidas que despertam ansiedade. Você pode estar adiando algo necessário para a sua vida, por não enfrentar o medo, e mesmo achando que acomodado você não ganha e nem perde, você perde, sim, e deixa de progredir, conquistar algo importante, concluir uma etapa que pode trazer benefícios presentes ou futuros no modo como você lida com os obstáculos no seu caminho.

A ansiedade e o medo andam juntos e se apresentam em sintomas físicos e psíquicos. O problema maior é quando resolvem andar descontrolados, quando você não sabe mais em que momento essa dupla emergirá. Nesse caso, você já não se encontra como dono da sua mente e do seu corpo, provavelmente, esteja sofrendo a síndrome do pânico. A síndrome do pânico é o medo do medo, de vivenciar novamente o pânico, um estado de ansiedade generalizada, medo de tudo, medo da vida.

De modo geral, quando você tem medo de alguma coisa e está diante desse determinado estímulo como uma barata, elevador, uma festa, você sente o extremo da ansiedade, seu coração dispara. Se você consegue contornar a situação sem ajuda e sem grande desespero visível, você possui apenas o medo, senão você possui um quadro de transtorno de ansiedade fóbico, a fobia.

Em todos transtornos de ansiedade há o medo excessivo e a consequente ansiedade desencadeia uma série de sintomas. Passar por uma experiência traumática e ter a lembrança desagradável invadida em sua mente de modo persistente; Temer intensamente determinadas situações ou objetos; De modo inesperado, sentir terror, pânico, sensação de morte, perigo iminente; Possuir preocupações excessivas, pensamentos obsessivos, possuir diversas manias, comportamentos repetitivos. Esses são tipos de transtorno de ansiedade, que geralmente são diagnosticados somente quando o sujeito já tem a sua vida pessoal prejudicada e então procura tratamento psicológico para resgatar a sua saúde mental.

A demora pelo tratamento se dá por falta de conhecimento, vergonha em expor seu problema, de dizer o que o aflige ou pela crença de que se trata apenas de uma fraqueza passageira. A boa notícia é que é possível reverter sua ansiedade ou pelo menos, atenuá-la de modo significativo através da psicoterapia, atividade física, meditação e uso temporário de medicamentos. A psicoterapia cognitivo comportamental é bastante eficaz, ensinando técnicas de pensamento mais racional, que evita a entrega à emoções inadequadas, e técnicas de relaxamento e respiração para controlar a ansiedade. É possível se renovar e projetar um futuro melhor com mais confiança, a fim de aproveitar melhor a vida, e não permitir mais que seu medo possa te paralisar.

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“Three worlds” de 1955

Imagens – xilogravuras e litografias do artista holandês M. C. Escher (1898- 1972). A primeira chama-se “Stars” (1948), representando dois camaleões em uma gaiola poliédrica flutuando no espaço.

2 comentários sobre “Ansiedade E Medo

    1. O processo terapêutico da TCC é breve (comparado a outros tipos de abordagem), mas para isso é preciso que o cliente participe ativamente durante as sessões e realize também tarefas fora do atendimento psicológico. O principal objetivo será identificar os padrões de comportamento, pensamento, crenças e hábitos disfuncionais que estão provocando os sintomas psicológicos. Após isso, são aplicadas técnicas específicas para mudar positivamente as percepções, emoções e consequentemente modificar o comportamento, proporcionando autonomia ao cliente, para que ele próprio possa se readaptar à realidade, utilizando-se das técnicas aprendidas.

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