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Nomofobia: dependência de celular

Lembro como se fosse ontem. Na época da minha graduação, estava eu atravessando a rua em frente à minha casa quando percebi que havia esquecido meu celular, senti a falta de imediato, senti um pico de ansiedade, pensei e se algo de ruim acontecer, estarei sem meu celular, poderia voltar e me atrasar alguns minutos para aula, mas em seguida raciocinei Cintia, não será hoje que o seu celular vai te salvar e há tempos atrás ninguém tinha isso. Confesso que não foi confortável, mas segui meu caminho e adivinha? Sobrevivi.

Antigamente nossos ancestrais andavam armados, hoje por uma questão de segurança acreditamos fielmente que necessitamos do celular para nos salvar. Convenhamos, o celular é uma ferramenta fantástica e a internet facilita muito a nossa vida diária. Quase um item obrigatório, o celular possui cada vez mais funções, possibilitando não apenas fazer ligações como nos localizar, informar, distrair, interagir com pessoas, realizar pagamentos, estudar e etc. Está conosco 24 horas, do lazer ao trabalho.

Considerada um transtorno do mundo moderno, a nomofobia é um tipo de vício (dependência) e uma fobia causada pelo desconforto ou angústia diante da incapacidade de acesso à comunicação através de aparelhos celulares, internet, tablets e computadores. O termo tem origem nos diminutivos ingleses No-Mo, ou No-Mobile, que significam sem telemóvel. Esse termo é utilizado e estudado desde 2008 para descrever o comportamento de dependência e os sentimentos de ansiedade que algumas pessoas demonstram quando não estão em contato com o celular. A nomofobia pode ser justificada pelo o medo de não conseguir saber o que está acontecendo no mundo ou de precisar de assistência médica e não ter como pedir ajuda.

O Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo. Em geral, pessoas fóbicas sofrem por ansiedade antecipatória, sentem a necessidade de estar no controle e também apresentam o medo da morte. Com a pandemia do coronavírus, o isolamento somado as constantes notícias e incertezas sobre o futuro intensificaram os distúrbios emocionais e não só isso, houve o aumento dos casos de nomofobia. Muitas atividades que antes exercíamos tiveram de ser cessadas, especialmente as que envolvem relacionamento humano, ficamos enclausurados em casa e mais dependentes do celular.

Como nossa sociedade está em constante revolução tecnológica, é preciso nos adaptar de maneira positiva e fazer o uso consciente da tecnologia para não sofremos com as consequências das rápidas mudanças na forma de comunicação. Quando a adaptação ocorre de modo precário e inadequado, surgem nos usuários diversos problemas de ordem física, emocional, comportamental e psicossocial.

Como identificar a nomofobia?

A nomofobia é identificada principalmente em pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos (com idade entre 18 e 24 anos), já que são os que mais consomem esse tipo de tecnologia e permanecem maior tempo nas redes sociais. Vejamos alguns sinais e sintomas:

  • Sentir ansiedade e incapacidade de se manter calmo quando está muito tempo longe do celular;
  • Necessitar fazer várias pausas no trabalho para checar e usar o celular;
  • Nunca desligar o aparelho;
  • Acordar no meio da noite para utilizá-lo e verificar as redes sociais;
  • Medo de ficar sem bateria, levando o carregador a todos os lugares e frequentemente carregar o celular;
  • Ficar aborrecido quando se esquece o celular em casa;
  • Visualizar obsessivamente as notificações, chamadas perdidas, redes sociais e e-mails;
  • Ansiedade e agitação quando está em um ambiente sem sinal e conexão wi-fi;
  • Não consegue ficar sem usar o celular, mesmo em ambientes inapropriados como o banheiro;
  • Escuta o celular tocar ou vibrar mesmo estando desligado (sintoma
    fantasma);
  • Tem tendência a supervalorizar relacionamentos virtuais nas redes sociais
    em detrimento dos relacionamentos reais.

O que causa a nomofobia?

Desenvolvida lentamente ao longo dos anos, a nomofobia está relacionada com o fato de os celulares terem se tornado cada vez menores, mais portáteis e com acesso à internet. Isso significa que cada pessoa está contatável o tempo inteiro e pode também ver o que está acontecendo à sua volta em tempo real, o que acaba gerando um sentimento de tranquilidade e de que não se está perdendo nada de importante.

Conclusão

A nomofobia está mais associada ao modo como se utiliza o celular do que à quantidade de tempo que permanece em frente à telinha. Se o sujeito passa a se preocupar muito com a aprovação dos outros usuários de redes sociais como a quantidade de likes, comentários e compartilhamentos de suas postagens, se isola socialmente, deixa de aproveitar os momentos reais para postar selfies, várias fotos ou vídeos, começa a se sentir mais feliz e interessado no mundo virtual ao invés do mundo real, é sinal de nomofobia e aconselhado o tratamento psicológico, para que o comportamento de dependência não desencadeie um quadro de ansiedade maior e depressão.

 

 

Fotografia (editada por mim), original de Denise Duplinski.

 

 

 

 

4 comentários em “Nomofobia: dependência de celular”

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