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Guia Prático de Psicologia Junguiana, por Robin Robertson

Carl Jung foi um pensador verdadeiramente original cujas ideias ainda são em grande medida desconhecidas ou mal interpretadas. Sua visão da realidade era tão diferente das concepções então vigentes que foi difícil para os psicólogos e cientistas captarem o real significado do que ele dizia, a dificuldade na tarefa de compreendê-lo ocorreu devido ao seu estilo narrativo que era, ao mesmo tempo, literário demais para os colegas acadêmicos e muito erudito para seus admiradores literários.

Como Jung tem sido ao longo dos anos frequentemente descartado como impraticável e fantasioso, o autor Robin Robertson deu neste livro ênfase na utilidade prática das teorias junguianas e também contou um pouco sobre a personalidade de Jung, como e por que ele enfim desenvolveu a mais autêntica visão de mundo do século XX.

Mas Jung não foi o único pensador inovador a ser ignorado e insultado pela classe médica e pelos acadêmicos. Seu mestre, Sigmund Freud também sofreu um bocado quando criou a psicanálise. Em 1906, a ousadia de Jung chamou a atenção do fundador da psicanálise através do conceito de complexo (um padrão central de emoções, imagens, sentimentos, desejos e lembranças no inconsciente pessoal organizado em torno de um tema comum, como “mãe”). Infelizmente para as expectativas de Freud, Jung não era talhado para ser discípulo de ninguém. Freud e Jung eram donos de diferentes personalidades e enxergavam o mundo de maneiras opostas.

Com o rompimento da amizade, Jung foi forçado a trilhar um caminho solitário em sua exploração dos fundamentos coletivos da consciência individual. O livro Guia Prático de Psicologia Junguiana trata da descoberta e da investigação de Carl Jung a respeito do “inconsciente coletivo”. Chamou-o de “coletivo” por consistir em imagens e padrões de comportamento disponíveis a todos os indivíduos em todas as épocas; e “inconsciente” porque não pode ser alcançado pela percepção consciente.

Em virtude do materialismo, vivemos isolados e alienados uns em relação aos outros. Confinados dentro de nós mesmos, ansiamos desesperados por um senso de vinculação com o nosso trabalho, a nossa religião, outra pessoa, o mundo à nossa volta, nós mesmos. A psicologia junguiana oferece uma possibilidade para esse beco sem saída. Jung descreve um mundo pessoal, afetivo, orgânico em que cada pessoa está ligada a todas as outras, em que cada um está conectado a todos os demais aspectos do universo. Entretanto, cada indivíduo ainda é um ser singular, vivendo um destino único, que ele denomina de individuação (o caminho de desenvolvimento que cada um percorre em vida).

Em Guia Prático de Psicologia Junguiana, Robin Robertson discute a estrutura básica e a dinâmica da psique, os conceitos de anima e animus, a sombra e a misteriosa figura do Self, ilustra uma parte da complexidade das relações entre a consciência e o inconsciente, e conta como Jung reintroduziu os ocidentais no mundo dos arquétipos, as imagens do inconsciente coletivo, da mitologia e dos símbolos da natureza. Nos capítulos finais, ele aborda a visão que Jung tinha dos sonhos, seu modelo dos tipos psicológicos e, em seguida, seu modelo principal para o processo de individuação.

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[…] A área do inconsciente é enorme e sempre contínua, enquanto a da consciência é um campo restrito de visão momentânea.

Carl Jung

Segundo Jung, a consciência é tão somente a ponta do iceberg. Por baixo encontra-se um substrato muito maior de recordações, sentimentos ou condutas esquecidas ou reprimidas que chamou de inconsciente pessoal. E por baixo dele está o inconsciente coletivo, imenso e ancestral, repleto de todas as imagens e comportamentos que vêm sendo repetidos incontáveis vezes ao longo da história não só da humanidade, mas da própria vida. Como disse Jung: “[…] e quanto mais fundo se vai, mais ampla se torna a base“.

O conceito junguiano de inconsciente coletivo é um reconhecimento de que a história ancestral ainda exerce efeitos poderosos em nossas vida. Temos dificuldade em aceitar que nós, humanos, contemos uma rica herança instintiva em nós. Sem dúvida, a ideia central à psicologia de Jung é a existência do inconsciente coletivo e a nossa relação com o mesmo por meio do processo de individuação.

A partir da leitura do Guia Prático de Psicologia Junguiana, somos apresentados a alguns fatos da vida de Carl Jung para compreender de que modo ele chegou a conclusões tão espantosas. O autor Robin Robertson declara que sua atração pela psicologia junguiana aconteceu por ela ultrapassar a distância entre os mundos científico e espiritual, para isso ele acrescentou ao livro uma quantidade razoável de corroborações científicas que no passado ainda eram indisponíveis para confirmar a visão de mundo de Jung.

A intenção com esta leitura é abrir os olhos do leitor para uma visão bem distinta da realidade, instigar o estudo a cerca da psicologia junguiana e do seu próprio processo de individuação, incentivar a busca pela melhor e mais completa versão de si mesmo.

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Minha opinião sobre o livro

Este é o segundo volume da coleção Biblioteca Cultrix de Psicologia Junguiana, é um livro agradável de ler, entretanto o primeiro volume “Introdução à psicologia junguiana” é uma leitura essencial, didática e mais importante para dar os próximos passos nas obras junguianas. Embora não seja do mesmo autor, Guia Prático de Psicologia Junguiana funciona como uma continuação do primeiro volume, a leitura não é complicada, todavia é necessário ter uma noção básica dos conceitos desenvolvidos por Jung antes de iniciar esta leitura.

Enquanto expõe a teoria e vida de Carl Jung, Robin Robertson faz análises comparativas e observações no decorrer da leitura, mas algumas delas não fizeram muito sentido para mim e achei que acabaram se afastando da psicologia analítica ao dar exemplos que envolvem mais a neurociência e a psicologia Gestalt, por isso considerei que nem todas associações foram tão produtivas que ajudassem a entender melhor a psicologia junguiana na prática.

Durante a apresentação das teorias junguianas, o autor explora o conflito entre o pensamento e as posturas divergentes de Freud e Jung, a meu ver foi bem interessante essa parte e me envolveu ainda mais na leitura. Robin Robertson explica o contexto das ideias de Jung, dá uma breve biografia do tempo em que ocorreu e como ocorreram as mudanças e avanços na teoria do psicólogo e psiquiatra suíço, Carl Jung.

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