O Cinema de Woody Allen - blog de psicologia Melkberg

O Cinema De Woody Allen

Nascido no ano de 1935, em Brooklyn, Nova Iorque, que ama e sempre enaltece em seus trabalhos, Woody Allen (Allan Stewart Königsberg) é um dos diretores até hoje mais aclamados da indústria cinematográfica norte-americana. Mais de 50 filmes, 10 peças teatro e 12 livros foram realizados pelo cineasta, roteirista, escritor, ator e também músico.

De origem judaica, cresceu numa família de classe média, sua casa era movimentada, nela haviam muitas pessoas e diariamente aconteciam situações hilariantes que o inspiraram tardiamente a escrever comédia. Durante a infância, ele não suportava o ambiente escolar, sofria bullying, era um garoto diferenciado, achava tudo muito chato e tinha uma visão excêntrica do mundo e da vida.

Grande inspiração para cineastas, humoristas, e pessoas que acima de tudo sabem rir de si mesmas. Nos primórdios da carreiras, ele começou escrevendo monólogos e fazendo espetáculos de stand-up, porém não conseguiu chamar a atenção do público. Woody Allen tentou fazer escola de cinema mas depois de reprovar num curso de cinematografia da New York University, em 1953, ele desistiu de vez dos estudos e começou a escrever para programas de TV.

O seu primeiro trabalho a ganhar popularidade foi em “Your Show of Shows”, que recebeu uma nomeação ao Emmy. Foi então que o público em geral passou a se interessar pela figura estereotipada desse comediante judeu, intelectual, autocrítico, pessimista e existencialista. Woody Allen assumiu esta identidade em todos seus trabalhados e colocou todas essas qualidades na criação dos personagens que deram vida às suas obras cinematográficas, frequentemente interpretadas pelo próprio cineasta.

Sou muito pessimista porque o problema do mundo é que ele depende das pessoas. Se você olhar a história, vê que as pessoas não fizeram um bom trabalho administrando-o, cuidando dele, vivendo nele. Não tenho muito claro que o mundo vá sobreviver; não há muitas razões para o otimismo no momento, talvez em alguns anos haja melhores perspectivas.

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O Cinema de Woody Allen

Acredito que a característica central do cinema de Woody Allen é o comportamento neurótico dos personagens, pessoas aparentemente comuns, mas intrigantes. Explorando o cotidiano de um modo filosófico, com muita ironia, os personagens provocam no espectador o pensamento crítico com inteligentes diálogos por qualquer espaço em Nova York, desde bares à galerias de arte.

A maior inspiração para os filmes veio de Ingmar Bergman (também é um dos diretores que tenho maior apreço). Todavia, o cinema de Woody Allen pega muito mais leve com o nosso psicológico. Quem não conhece os filmes de Ingmar Bergman, posso dizer que o cinema do sueco abre nossa mente para uma introspecção perturbadora, mesmo nas cenas mais claras, ele nos leva aos lugares mais sombrios da psique humana, quase nos obrigando a enxergar a nós mesmos. Já o cinema de Woody Allen utiliza muito a parte cômica para mostrar nossas neuroses.

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Oscar

Amor, sexo e Psicanálise, são os temas mais recorrentes na filmografia de Woody Allen. O filme mais elogiado pela crítica do cinema foi Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), ganhando quatro estatuetas do Oscar. Apesar de ter sido premiado diversas vezes, o cineasta nunca fez questão de estar presente nas cerimônias. “Nunca acredite nos elogios que recebe”, a justificativa dele sobre a ausência nas noites de gala e premiações.

Não sou uma pessoa de prêmios. É possível dizer qual é o filme favorito de alguém, mas não qual é o melhor filme. Quem pode dizer isso? São avaliações pessoais, não significam nada. Para o Oscar, as pessoas fazem campanha e gastam milhões de dólares para comprar esses prêmios.

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Música

Não só da sétima arte vive Woody Allen. Quando criança, o cineasta aprendeu a tocar clarinete, desde então tem profundo conhecimento de jazz e foi clarinetista sob o nome de Woody Herman durante muito tempo no grupo New Orleans Jazz Band, onde tocavam muitas vezes, às segundas-feiras, no Carlyle Hotel de Manhattan.

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Escândalo

Woody Allen teve inúmeras mulheres em sua vida, a maioria atuava como protagonista em seus filmes, foi o caso de Mia Farrow. Apesar de ser admirado pelos amantes do cinema, Woody Allen passou a ter a sua vida pessoal discutida, ganhando um tom controverso na opinião pública depois que se separou da atriz. Enquanto estava casado com Mia Farrow, o cineasta teria começado a se relacionar com a filha adotiva da esposa, Soon-Yi Previn, que ainda era uma adolescente. Além disso, Mia Farrow também acusou o ex-marido de ter abusado sexualmente de outra das suas filhas adotivas, Dylan, que tinha na época sete anos de idade. Como as provas eram inconclusivas, o diretor nunca foi indiciado pelo crime alegado. Woody Allen acabou se casando com Soon-Yi em 1997, e continuam até então juntos.

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Psicanálise

Apaixonado pela Psicanálise, em particular por Sigmund Freud, Woody Allen se auto descreve como um “militante freudiano ateísta”. A primeira vez no divã foi em 1959, quando começou a sentir uma forte melancolia inexplicável, a partir daí, a Psicanálise se tornou sua maior aliada, indo regularmente ao consultório do analista uma vez por semana e nos períodos mais críticos três vezes. Visto muita vezes como um sujeito tímido, hipocondríaco e cheio de fobias. Woody Allen, diz:

Até certo ponto. Não sou cheio de fobias, tenho algumas. Não entro em túneis, sou claustrofóbico. Não sou hipocondríaco; sou mais um alarmista: não imagino que estou doente, mas se vejo uma coisinha pequena aqui, uma picada de mosquito, penso que é um tumor cerebral. Tenho peculiaridades, mas não são perigosas…

Os personagens de Woody Allen funcionam como o “alter ego” dele e os diálogos refletem suas preocupações pessoais. Em seus filmes sempre existem casais com problemas existenciais. Na obra-prima “Noivo neurótico, Noiva nervosa”, o cineasta dá a vida à Alvy Singer, um humorista judeu, nova-iorquino, de meia idade, divorciado, e intelectualizado demais para aceitar as coisas como são sem questioná-las. O personagem faz análise há quinze anos, e como repete várias vezes durante o filme: não evolui na análise. Em determinado momento da história, Alvy Singer conhece Annie Hall, uma jovem cantora, que está em busca do sucesso. Eles se apaixonam e vão morar juntos, mas surgem as temidas crises, é nesse momento que Annie também passa a fazer análise, Alvy então se dirige à câmera, olha para o espectador e diz que em quinze anos ainda não conseguiu ainda falar sobre determinadas angústias durante as sessões no divã.

Um cineasta neurótico, apaixonado pela Psicanálise e por Nova York, descontente com o amor, com o mundo e com si mesmo. Ele marcou várias gerações com seus monólogos críticos e sem filtro, compartilhando seus medos e problemas de relacionamento. Sua comédia psicanalítica, descomplica os maiores dramas da vida e nos faz refletir sobre tudo, mesmo que sejam sobre as coisas aparentemente mais banais e rotineiras em nosso cotidiano.

Aos 85 anos de idade, ainda é um profissional em plena atividade, ele tenta continuar a dirigir e escrever um filme por ano, porque: “nem todos são bons, mas vou fazendo mesmo assim, quem sabe uma hora, sai alguma coisa boa”. Com todo talento, Woody Allen tem consciência que nem sempre produzirá uma obra-prima, mas nem por isso ele desiste de continuar trabalhando. Por vezes temos medo de fazer algo novo, porque não acreditamos se será bom o suficiente. Seguindo o pensamento do cineasta, tente mesmo assim!

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