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Efeito Manada em Psicologia das Multidões

Você está num lugar desconhecido e precisa escolher entre três restaurantes para jantar. Dois estão com poucas pessoas, já no terceiro há uma fila de espera. Qual você escolhe? Se preferir o último acreditando que é a melhor opção, você pode ser vítima do efeito manada. Com isso outras pessoas também imitam a sua atitude imaginando a mesma coisa e assim, a fila não para de crescer. Talvez os outros restaurantes sejam tão bons quanto o terceiro, mas a decisão da primeira pessoa acaba determinando o sucesso e o fracasso dos estabelecimentos

Psicologia das Massas

A psicologia das massas ou psicologia das multidões é um ramo da psicologia social que propõe várias teorias e estuda as características do comportamento de indivíduos dentro de multidões, sendo de extrema importância para entender a nós mesmos individualmente. Um exemplo bem atual e problemático é o compartilhamento das fake news que promovem reações em massa, nesse caso, as pessoas assumem uma mentira como verdade e acreditam cegamente em um líder, que se beneficia da manada.

O efeito manada refere-se a qualquer comportamento do ser humano quando age em bando, por exemplo, em manifestações e greves, movimentos sociais (ex. feminismo), manias coletivas (modismo), encontros religiosos, torcidas organizadas e episódios de violência em massa.

O efeito manada pode enfraquecer controles pessoais, como a culpa e a vergonha, gerando o comportamento antissocial. Algo parecido ocorre com o bullying, caracterizado por um conjunto de pessoas que se unem para ameaçar, insultar ou violentar fisicamente uma única pessoa de forma sistemática e repetitiva.

Paradigma de Asch

CONFORMIDADE

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O psicólogo social Solomon Asch desafiou nossa autoimagem como seres autônomos, elaborando uma experiência para demonstrar nossa tendência à conformidade. O Paradigma de Asch era um teste visual simples, em que os participantes tinham que decidir qual das três linhas do segundo cartão tinha o mesmo tamanho da única linha do primeiro cartão. O resultado foi surpreendente: Quando rodeados por um grupo de pessoas (atores) que davam propositalmente a mesma resposta errada, 75% dos participantes responderam incorretamente. O mais provável é que as pessoas inclinam-se à conformidade quando sabem que os outros vão descobrir o que elas dizem, ignorando sua própria noção de verdade.

As conclusões de Solomon Asch apontaram o poder (e o perigo) da influência da sociedade sobre as convicções e o comportamento individual. Inspirado no paradigma de Asch, a experiência de Stanley Milgram sobre obediência mostrou que pessoas normais são capazes de realizar atos de crueldade quando pressionadas a se adaptar ao grupo e a obedecer um líder.

Gustave Le Bon & Sigmund Freud

Grande parte da obra literária do antropólogo Gustave Le Bon foi dedicada a justificar o colonialismo das potências europeias. Le Bon estava convencido que somente sob certas condições geográficas poderiam haver homens e mulheres verdadeiramente inteligentes, belos e moralmente desenvolvidos, fazendo referência à uma raça superior, a denominada “raça ariana”.

Sua obra “Psicologia das Multidões” defendia a ideia de que humanos desenvolviam coletivamente comportamentos que jamais teriam individualmente. Le Bon sugeria que as multidões eram um rebanho servil e que, em razão disso, não poderiam existir sem a presença de um chefe com personalidade forte, crenças bem definidas e grande força de vontade.

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Para os homens, a liberdade, na maioria dos casos, não é outra coisa senão a faculdade de escolherem a servidão que mais lhes convém.

Le Bon

No grupo, observa-se um fenômeno de contágio, cada indivíduo sacrifica com facilidade o seu interesse pessoal ao interesse coletivo e torna-se sugestionável nas mãos de seu hipnotizador. Na massa se produz a regressão, transformando indivíduos racionais e autônomos em seres primitivos e infantis.

Gustave Le Bon faleceu em 1931. Provavelmente, ele nunca imaginou que suas argumentações seriam aproveitadas pela ideologia e propaganda nazista e que o seu próprio país, a França, seria vítima da discriminação da “raça ariana”.

É bastante fácil fazer surgir sentimentos na alma das multidões, mas é dificílimo refreá-los. Desenvolvendo-se, convertem-se em forças que não é possível dominar.

Le Bon

Influenciado por Gustave Le Bon, no ano de 1921, Sigmund Freud explicou sob o ponto de vista da psicanálise como se dá poder que provém das grandes multidões em “Psicologia das Massas e a Análise do Eu”. Para Sigmund Freud, a ligação do indivíduo ao líder é uma ligação fundada na idealização, a personalidade de cada pessoa que forma o grupo é oprimida, pois o mestre é visto como o “ideal do ego” e assim assume o lugar do “ego” de cada um. O “ideal do ego” representa as exigências dos pais em relação aos filhos, no efeito manada, o pai é substituído pelo herói enaltecido, todos do grupo desejam ser como ele.

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Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza. Ela vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem.

Quem quiser influir sobre ela, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma fala.

Como a massa não tem dúvidas quanto ao que é verdadeiro ou falso, e tem consciência da sua enorme força, ela é, ao mesmo tempo, intolerante e crente na autoridade. Ela respeita a força, e deixa-se influenciar apenas moderadamente pela bondade, que para ela é uma espécie de fraqueza. O que exige de seus heróis é fortaleza, até mesmo a brutalidade. Ela quer ser dominada e oprimida, e temer seu mestre.

Sigmund Freud

A teoria de Sigmund Freud afirma que, quando um indivíduo se torna membro de uma multidão, seu inconsciente é desbloqueado. Isso ocorre porque as restrições do superego (o centro moral da consciência) são relaxadas, enfraquecidas e deslocam-se para a multidão. O indivíduo, então, tende a obedecer o líder carismático da massa. O controle do ego sobre os impulsos produzidos pelo id diminui, e os instintos confinados em sua personalidade vêm à tona. Sendo assim, a multidão fornece uma libertação momentânea para os desejos reprimidos.

Entendendo os Grupos

Por que o “eu” se perde na multidão?

Se os sujeitos ganham em coesão e em segurança dentro de um grupo, por que então eles perdem sua liberdade de pensar e sua capacidade de julgamento? Por que os grupos são mais intolerantes, irracionais e imorais? Por que os sujeitos que formam o grupo perdem suas inibições e são atingidos facilmente pelo ódio?

1 A existência de regras, padrões e códigos influenciam indivíduos a agir ou pensar de forma parecida;

2 De forma inconsciente, as multidões contagiam os sentimentos e atitudes daqueles que a formam, e permite que a massa seja manipulada por um líder;

3 A manada hipnotiza o indivíduo, fazer parte de uma multidão provoca nele o sentimento de onipotência. Desse modo, passa a não se sentir responsável e misturado aos outros, ele age de forma anônima, sem arcar com as consequenciais de seus atos;

5 A crença que seja preciso seguir o líder ou a maioria por haver alguma lógica por trás do comportamento manada;

6 Garantia de segurança (sem o risco de sofrer punições, pois não se destaca como diferente) e ser aceito por parte da liderança e dos membros de um grupo, acreditando que terá algum benefícios seja material ou afetivo (mecanismo de sobrevivência);

7 Na multidão, o irreal predomina sobre o real. A massa é compacta e não se desfaz devido às diferenças de pensamentos e vontades individuais.

Campanhas Publicitárias

COMPORTAMENTO Maria vai com as outras

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As empresas podem se valer da conformidade para lucrar. Nas campanhas publicitárias, figuras públicas famosas são usadas para nos convencer facilmente. Os anunciantes também sempre que podem enfatizam que seu produto é o “preferido pela maioria das pessoas” ou que “cada vez mais pessoas estão parando de usar outras marcas e passando a usar o produto deles”. Com isso, eles tentam influenciar os consumidores dizendo o que maioria da população está fazendo, quando, na verdade, não está. Em muitos países, os políticos ou partidos fazem a mesma coisa afirmando que a maioria das pessoas vai votar neles, torcendo para que a frase se transforme numa profecia autorrealizável. Tanto empresas quanto governos utilizam o poder da influência social para promover boas e más causas.

CONCLUSÃO

O efeito manada é muito comum e difícil de escapar. Diariamente somos influenciados por pessoas que nem estão tentando nos manipular. Os hábitos alimentares por exemplo, fazem parte disso. Se os seus amigos mais próximos são vegetarianos, é mais provável que você se torne vegetariano. Se a sua família faz um prato generoso de comida, facilmente você pode engordar junto com eles.

O comportamento de manada produz diferentes consequências, sejam de nível pessoal ou coletivo. Para que o grupo tome boas decisões, é preciso que cada membro pense e aja da maneira mais independente possível, por mais paradoxal que isso pareça. Decisões bem tomadas coletivamente surgem a partir da contestação, da independência e diversidade de pensamento, de opinião. Portanto, grupos podem ser mais inteligentes do que indivíduos, exceto quando agem de maneira irracional, sob efeito manada.

Por vários motivos, multidões cometem barbáries quando reunidas. Deixar que os outros pensem por nós pode ser muito prejudicial, uma forma de não ser má influenciado é escolher bem o nosso grupo. Se nos cercarmos de pessoas que confiamos e que compartilham dos nossos objetivos e valores, talvez segui-los pode não ser uma má ideia.

Fotografia: “Docker’s strike in London” (editada por mim), original de Marc Riboud (1954).

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