Agressividade e Neuroses De Guerra Em Soldados

Você se lembra onde estava e como ficou sabendo dos atentados terroristas aos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001? Provavelmente sim. Isso se deve ao conceito “lembranças-relâmpago”. O ser humano quando vivencia um acontecimento histórico e inesperado, ele guarda recordações detalhadas e vívidas. Imagine então se você fosse um soldado de guerra… Como o seu cérebro ficaria ao ser bombardeado a todo momento por imagens de morte e ameaças contra sua vida? O evento traumático se torna persistente por flashbacks e pesadelos, assim é o pós-guerra de um ex-combatente.

TEPT – NEUROSES DE GUERRA

Sem controle algum, a agressividade vem à tona por coisas banais, ocorre então o afastamento social, distúrbios do sono, desesperança sobre o futuro e ansiedade crescente, muitos passam a desenvolver o consumo compulsivo de drogas lícitas ou ilícitas. Os sintomas do Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) acomete não só veteranos de guerra como também policiais, sobreviventes de acidentes e desastres, vítimas de ataques sexuais, crianças de zonas de guerra e de vizinhanças violentas. Historicamente, os traumatismos dos homens costumam ser experiências em combate e, das mulheres, assalto ou estupro.

O TEPT só foi reconhecido como doença em 1980 pela Associação de Psiquiatria Americana, porém diversos cientistas já estudavam exaustivamente os sintomas do TEPT em ex-combatentes de grandes guerras, sobreviventes dos campos de concentração nazistas, entre outros conflitos. Por muito tempo, o transtorno era chamado de “neurose traumática” ou “neurose de guerra”. O agente estressor provoca sequelas psíquicas e continua vivo na memória e com o dedo no gatilho.

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AGRESSIVIDADE

Estar cara a cara com o perigo e sob o risco de exposição a eventos traumáticos faz parte da nossa condição humana desde o início da evolução da nossa espécie. Os homens pré-históricos precisavam caçar para sobreviver e se deparavam com os predadores mais terríveis e seus inesperados ataques.

A necessidade de viver em sociedade modula o nosso instinto de agressividade, já o confronto rompe as barreiras psicológicas até então constituídas ao longo da vida, tornado possível desqualificar o inimigo e tratá-lo como presa a ser caçada. A agressividade humana pode se manifestar de diferentes maneiras através da luta, competição, hostilidade, submissão e fuga. As emoções correspondentes à agressividade serão as reações de medo, raiva, ataque e ameaça, desencadeando respostas físicas e variações de humor coordenadas pelo sistema nervoso e parassimpático.

A guerra pode ser vista como um fenômeno de evolução cultural em que predominam condicionamentos que impõe o ato de matar. A natureza da guerra é cultural, já a agressividade é um impulso inato, que nos orienta em direção à evolução ou autodestrutividade.

Não só a agressividade é inata, a inibição para matar também. Assim, o uso de armas que matam rapidamente permite atirar contra o adversário antes que ele emita sinais de submissão ou apelos capazes de inibir a violência. O disparo da arma impede que o soldado se identifique com o adversário, repelindo os sentimentos de compaixão que são capazes de frear comportamentos hostis. Para prevenir a desistência de matar, os soldados são treinados para enxergar o inimigo como uma presa, uma caça ou um ser inferior.

Para Sigmund Freud, a guerra revela o homem primitivo que habita em nós, aquele que transforma o estrangeiro em inimigo a ser eliminado e banaliza a morte. Os impulsos primitivos, selvagens e maus da humanidade não desaparecem, ele vivem em nós, ainda que recalcados, no inconsciente de cada um, esperando a oportunidade de reativar-se.

A guerra se contrapõe a todas conquistas psicológicas alcançadas por meio da civilização, aflorando impulsos destrutivos e cortando as ligações afetivas da comunidade.

NEUROSES DE GUERRA EM SOLDADOS

A Primeira Guerra Mundial se diferencia das outras pelos inúmeros registros de confraternização entre os soldados de exércitos inimigos. Isso foi modificado para que os objetivos da guerra não falhassem caso o ódio viesse a faltar.

Por outro lado, apesar de toda a destruição, as guerras contribuíram para o desenvolvimento de várias áreas da ciência. Muitos investimentos em tecnologia são feitos pensando nas aplicações militares. Infelizmente, os sobreviventes das guerras, carregados de sequelas físicas e psicológicas, se tornaram um campo fértil para pesquisas na psiquiatria.

Durante a Primeira Guerra Mundial, soldados afetados por neuroses de guerra eram submetidos a choques elétricos, inclusive, Freud chegou a denunciar esse tipo de experimento realizado por um colega de profissão. Os estragos psicológicos devido ao trauma são tão impactantes que enviam sinais ao corpo, se tornando visíveis e causando transtornos nos movimentos. Isso foi observado em 1917 e 1918 quando o Major Arthur Hurst filmou soldados franceses sobreviventes da Primeira Guerra Mundial, num filme que ficou conhecido como War Neuroses (Neuroses de Guerra).

Obrigada por ler até aqui! Se você conhece alguém que gosta de ler assuntos referentes à guerra, não deixe de compartilhar ;) 

2 comentários sobre “Agressividade e Neuroses De Guerra Em Soldados

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