Livro de David Léo Levisky: A Vida?… É Logo Ali

Sinopse: “Tudo tem uma história, uma gênese. Assim é a música, o chocolate, o amor, a vida.” Todos estamos sujeitos a passar por situações imponderáveis e traumáticas durante a vida. Uns mergulham e permanecem na tragédia. Outros buscam a superação, aprendem com a dor e descobrem caminhos alternativos, criativos e de realização. Por meio da história vivida por mãe e filha, Gabriela e Lina, na travessia ao longo de anos de uma vida familiar conturbada, o autor coloca o leitor em contato com vivências capazes de mobilizar forças interiores que conduzem à esperança e à realização na luta pela vida.

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Existe alguém que não gosta de chocolate?… Que não gosta de história?… E nem de relações humanas? Acredito que a maioria dos leitores do Melkberg, se interessam por esses assuntos. Há um tempo atrás, li um livro que relaciona o desaparecimento crescente das abelhas com as relações familiares, o que me despertou o interesse por leituras que articulam com criatividade informações enriquecedoras dentro de um enredo. O livro “A vida?… É logo ali” foi escrito desse modo, nele iremos conhecer a estória de uma família articulada à história do chocolate.

“Nada é simples quando se trata de um bom chocolate”, dizem os especialistas. É como no amor: ele depende de tantos fatores para chegar a uma boa harmonização. A História estuda o passado e seus processos cuja análise ajuda a compreender o presente. A arte de amar e de ser amada também depende do histórico pessoal e familiar, da relação criada entre os parceiros e dos movimentos dos sentimentos, dos afetos e das ideias, sem garantias definitivas, pois tudo muda, tudo é movimento.
Lina

Essa família se sente sobrecarregada, preocupada, luta para se manter erguida e proporcionar um futuro seguro aos dois membros mais novos, dois filhos com deficiência intelectual e motora. Além disso, ainda existe um casamento com seus dias contados e uma jovem em pleno processo de amadurecimento, querendo conquistar seu espaço na sociedade e procurando ser enxergada em meio a tantas dificuldades na rotina da família.

Onde é que irei parar? Indagação cujo som paira mudo no ar.
Lina

Lina e Gabriela (filha e mãe), elas que são apaixonadas por chocolate e por elas, os capítulos são intercalados, sob suas perspectivas acompanhamos essa família paulista, com seus conflitos entre eles e com as políticas públicas de saúde do nosso país. Desamparados, eles passam seus dias lutando para se estabelecer da melhor maneira e para isso, por muitas vezes enxergam uma barreira produzida pelo outro, que demanda cuidados 24 horas como os filhos com comprometimento no desenvolvimento, Lucas e Fábio.

Uma coisa é o sentimento de solidariedade com sua mãe e irmãos. Eu admiro esse seu traço de caráter, de disponibilidade para ajudar as pessoas, mas isso é diferente de você restringir sua vida em função deles. (…) Terei de carregar uma cruz e sacrificar minha vida pelos outros? Não quero ser omissa como meu pai, nem devota como minha mãe.
Desabafo de Lina

O conceito de egoísmo de sobrevivência é discutido nos momentos em que cada um deles imaginam que para conseguirem um pouco de liberdade precisarão deixar alguém de lado ou sobrecarregado nos cuidados diários de Lucas e Fábio. João, o pai, talvez tenha sido o egoísta, pois há uma diferença entre querer um pouco de liberdade e ainda sim tentar conciliar com as obrigações, com querer fugir das obrigações para fazer apenas o que irá proporcionar ganho a si próprio. Ele ajudava pouco seus filhos afetivamente e materialmente.

É muito irresponsável nos seus compromissos como pai, no relacionamento com minha mãe e até no trabalho. Parece que se esqueceu de crescer.
Lina falando sobre o pai

Existem dois conteúdos aqui no Melkberg, um sobre a sobrecarga familiar no cuidado de parentes com transtornos mentais e outro com dicas para os cuidadores da família. Relembrando minha escrita passada, consigo supor como seriam essas duas mulheres, Lina e Gabriela. Espelhadas em muitas mulheres que batalham por sua família. Precisamos reconhecer o outro, pois todos nós um dia precisaremos de ajuda e para isso ninguém deveria ficar sobrecarregado e sozinho de preocupações. Qualquer ser humano tem suas inseguranças e gostariam de apoio, estando doentes ou não.

Na verdade, ela era a forte da casa até que um dia a depressão e a loucura tomaram conta dela, indo parar em um hospital psiquiátrico. Passou meses internada por ter abandonado tudo, inclusive a si mesma.

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A inércia e a indiferença tomaram conta do meu corpo sem ânimo, sem interesse em me cuidar ou viver. Só mais tarde fui descobrir que se preocupar era um estado de amor que havia desaparecido.
Gabriela

A mulher sempre foi a figura responsável pelos cuidados da família. Refletindo sobre essa realidade que habita em muitos lares, sem a divisão das tarefas, essas mulheres acabam também adoecendo tanto fisicamente como psicologicamente. João tinha problemas com alcoolismo e outras drogas, se refugiando em seus vícios para não enxergar seus filhos. Juntando a dependência química e a rotina exaustiva da família, seu casamento foi sendo deteriorado, abrindo espaço para muitas decepções sentidas por Gabriela, sua esposa, a que mais precisava de amparo.

Quando ele chegava em casa chapado, de olhos congestionados e pupilas grandes alegando excesso de trabalho, eu sabia que era tudo mentira.

A mãe desamparada, decepcionada e exausta não percebia que estava sobrecarregando a filha Lina. “O futuro está em suas mãos”, cuide-se de você e de seus irmãos. Por não ter maturidade suficiente para lidar com tanta cobrança, Lina ficava muito ansiosa e tinha pesadelos constantes. Angustiada pela falta de controle em sua própria vida, ela sentia raiva e se culpava logo em seguida. Adoentando-se, arrancava seus cabelos de forma compulsiva, roía suas unhas até sangrarem, tinha coceiras pelo corpo que se transformaram em feridas. Uma maneira desesperada e disfuncional que sua mente encontrou para pedir socorro, o olhar da mãe e seus cuidados.

Sinal de alerta para a existência de perigos como as incontroláveis oscilações de humor, levando-me a estados de desorganização pessoal. Era preciso deixar de brincar de gangorra com meus sentimentos, tomada por estados extremos de euforia ou depressão.
Lina

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Durante a leitura podemos observar nos personagens:

  • possível Transtorno Bipolar
  • Dependência de álcool e outras drogas
  • Doenças psicossomáticas
  • Compulsões como Onicofagia (roer unhas) e Tricotilomania (arrancar cabelos)
  • Depressão psicótica grave

Por mais que soubesse que era preciso reagir, não encontrava forças. Havia pensado em me matar, ação difícil de ser executada. Dependia de iniciativa e ainda não estava louca o bastante para um ato impulsivo. Aliás, a inércia talvez fosse o meio de me defender desse desejo.
Gabriela

Ciente do declínio de sua saúde mental, Gabriela fez sessões de psicanálise e passou a frequentar um grupo de pais de crianças com deficiência para buscar maior aceitação e inserção social de seus filhos. Essa seria a sua missão.

Qual é a sua missão? Pense nisso.

O belo e o feio, a felicidade e a tristeza coexistiam na dependência de como eu observava e valorizava os filhos, os outros e a mim mesma. Brotos de esperança surgiram e passei a acreditar na capacidade de transformar meu poder crítico, destrutivo e gerador de culpa em energia de vida. Algo difícil de descrever, mas possível de ser vivido.
Gabriela

Diante dos problemas, alguns podem ter reações infantis, isso é comum quando o indivíduo se depara com uma situação difícil que não sabe lidar, mas essa postura precisa ser logo percebida para administrar melhor sua vida e suas relações. “A vida?…É logo ali” de David Léo Levisky trata do mundo real, da esperança, autoestima e superação. Ninguém precisa deixar o outro de lado para seguir suas realizações, através do apoio e do amor, duas ou mais pessoas podem se amparar, dividir suas inseguranças e mesmo assim, ao mesmo tempo, conquistar aos poucos sua individualidade e seguir seus caminhos para o bem de todos, fortalecendo ainda mais a família.

Só então me dei conta de que minha instransigência e falta de tolerância, características que acreditava terem desaparecido de minha personalidade, estavam vivas. Foi uma armadilha que armei para mim. (…) Eu não tinha o direito de exercer controle sobre as prioridades dele. Uma coisa não precisava destruir a outra. Seria melhor se eu conseguisse articular sentimentos contraditórios como o amor e ódio, admiração e inveja, desafios a serem praticados e incorporados ao meu ser.
Gabriela

“A vida?…É logo ali” também divide com o leitor a importância da análise (terapia) para a busca do autoconhecimento, conhecer seus limites e reconhecer os limites do outro, como conciliar suas vontades e expectativas com esse outro, que pode ser seu marido, filho(a), pai, mãe, namorado(a), irmão, etc. Não dependemos só de terapia, o próprio outro quando confiante, irá enxergar suas necessidades, te escutar e respeitar, conseguindo proporcionar o bem para você. Hernandez foi assim com Lina, logo no primeiro encontro, um desabafo fortaleceu os dois, possibilitando um relação inesperada, bonita e a milhares de quilômetros de distância. Do mesmo modo, eram os diálogos frequentes de Gabriela com Lina, compartilhando os aprendizados do passado da mãe com as situações do presente da filha, minimizando os erros e frustrações no futuro de ambas.

Percebi que ser mãe não dependia só do êxito dos filhos, mas de mudanças no nível das minhas expectativas, na ampliação da tolerância e aceitação das diferenças.
Gabriela

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Tenho descoberto que nada vem pronto, tudo se constrói e se modifica. Assim era com os valores, a moral e os comportamentos.
Lina

Gostei bastante da leitura por ser bem produtiva, sublinhei vários trechos e guardarei com carinho esse livro, pois é o tipo de leitura que você pode sempre recorrer e será enriquecedora. Através do aprendizado do outro, podemos também aprender, mesmo que tenhamos realidades diferentes.

A confiança não vinha da certeza, mas da disponibilidade em continuar tentando, apesar e em virtude dos erros.
Gabriela

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I.S.B.N: 9788521213642
Páginas: 274
Editora: Editora Blucher
Autor: David Léo Levisky

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