Saúde Mental e Saúde da Família – dicas para os cuidadores

Seguindo o pedido de uma leitora, o tema desse post irá mostrar uma visão, a qual não é tão considerada nos meios de informação quando o assunto é saúde mental.

O ser humano tende a ser um ser empático. Ao estudar um pouco sobre saúde mental, é normal nos colocarmos no papel do doente, porém você já parou para pensar na família dele? Você tem algum familiar que é portador de algum transtorno mental? E se você tivesse na sua família, como acha que seria a sua vida?

Saber que um ente querido está sofrendo de qualquer doença da mente, já causa um sofrimento significativo e o conviver com a doença pode ser desgastaste ao longo do tempo para ambos os lados (ente doente e a família), é uma questão de superação dia após dia, é saber que a calmaria agora se torna um privilégio, todos os cuidados devem ser feitos rotineiramente e a família deve estar atenta a qualquer novo episódio do curso da doença.

Os modos de agir, as funções mentais e o relacionamento com a família pode ser modificado. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entendem-se como transtornos mentais e comportamentais as condições caracterizadas por alterações doentias de pensar ou do humor e do comportamento associadas à angústia expressiva ou deterioração do funcionamento psíquico global.

Uma pessoa pode mudar seu comportamento por motivos de estresse, por exemplo, isso é uma condição normal. Mas, caso você queira saber se o seu familiar está passando por alguma desordem mental, perceba então, se ele apresenta anormalidade de conduta que traga perturbação e persista por mais de 6 meses, se isso for confirmado, você pode passar a considerar a possibilidade de uma patologia e a indicação de um tratamento.

Para confirmar algum diagnóstico, o paciente precisa ser avaliado por um psicólogo através de uma entrevista em que serão coletados dados, como: a queixa principal; o motivo da consulta; a história da doença, ou seja, como tais comportamentos fora do normal surgiram; a história pessoal do paciente e a história da família, para saber se já houve caso semelhante com outro familiar.

Antigamente, quando um transtorno mental era diagnosticado, a atenção era voltada apenas para o paciente. Nos anos 50, com o surgimento da terapia de família nos EUA, que os estudos e pesquisas passaram a investigar a existência de uma relação entre o surgimento da doença e o envolvimento do paciente com sua família. O passo mais importante, se deu após a Reforma Psiquiatra no Brasil durante a década de 70, os principais objetivos dessa reforma, eram: a diminuição de internações, inclusão dos pacientes de volta à sociedade, tratamento mais humanizado e permanência maior dos pacientes em suas casas. Desse modo, a atenção à família se tornou uma estratégia essencial nos serviços de saúde mental.

Assim, a família passou a ser a principal responsável pelos cuidados ao paciente. Agora esses cuidados fazem parte da rotina familiar, gerando mudanças na dinâmica da casa, o que acarreta conflitos e perda de antigos hábitos. Administrar a medicação, arcar com os gastos, lidar com os episódios de crise da doença e acompanhar o familiar aos serviços de saúde, não é uma tarefa fácil pra ninguém, podendo ser desgastante e gerar dificuldades no relacionamento com o ente doente e piora do quadro da doença.

A família pode buscar o apoio de um profissional como o psicólogo, para se adaptar melhor à nova rotina da casa, aprender de modo favorável a aceitar e enfrentar a doença do ente querido. Se você está passando por isso, procure não ficar pensando o que causou a mudança de comportamento e o transtorno em seu familiar, pois essa postura trará conflitos para si mesmo, podendo vir à tona o sentimento de culpa, que não ajuda em nada a nova dinâmica da família.

A doença não aparece por uma “falha” ou “pagamento de pecados” como o familiar costuma pensar, ela ocorre por fatores genéticos e biológicos, por isso busque o maior conhecimento sobre determinado transtorno mental. A maioria dos transtornos da mente, tem modificações no sistema nervoso central, afetando o sistema cognitivo (memória, atenção, concentração, pensamentos, etc) e desregulando as emoções. A alteração dos níveis de hormônios também são encontrados nas depressões, transtornos do stress pós-traumáticos e transtornos alimentares, por exemplo. Além disso, os fatores psicológicos contribuem para o surgimento da doença, como o aparecimento de dificuldades a serem enfrentadas em certa fase da vida e, qualquer tipo de perda ou trauma vivenciado.

Os cuidados ao parente com transtorno mental devem ser divididos, não ficando sobrecarregado para nenhuma parte, o cansaço e a frustração devem ser evitados, por isso não assuma tudo sozinho, não deixe sua vida social de lado, para ficar como o único responsável por tudo na casa. Outra coisa, um ambiente de família superprotetor, estressante ou muito crítico, intensificam os conflitos e piora ainda mais o transtorno mental.

Fique atento aos serviços de saúde que sua cidade disponibiliza. De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende através do CAPS (serviço de saúde aberto a comunidade) pessoas que estão sofrendo de psicoses, neuroses graves e demais patologias, cuja a intensidade do quadro e persistência possibilita também o cuidado intensivo e interação com os demais pacientes, integrando o indivíduo novamente a sociedade.

Caso o médico não esteja dando o devido suporte para a família, não esclarecendo todas as dúvidas como os efeitos colaterais da medicação e os possíveis tratamentos disponíveis para o transtorno, procure então outro médico que informe mais e seja mais atencioso e transparente, isso é fundamental para não produzir sentimentos de impotência, medo e solidão aos cuidadores.

Quem gostou do post, clica no like ou comente aqui embaixo, para me ajudar a saber se o conteúdo despertou interesse dos demais leitores. Pretendo fazer uma continuação desse assunto ;) Até logo! 

 

 

Imagem – Pinterest

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