Resumo: Sete Anos em Sete Mares, de Barbara Veiga

Sinopse: Sete Anos em Sete Mares é a jornada de uma mulher que escolheu se lançar ao mundo com vinte e poucos anos, abrindo mão dos amigos e do conforto, para se entregar a causas que possam ajudar a melhorar o planeta. Após cruzar oceanos, atuar em causas socioambientais em mais de 80 países e visitar as regiões mais inóspitas do mundo, Barbara Veiga, fotógrafa, documentarista e jornalista, conta suas emocionantes experiências ao passar sete anos morando no mar. São relatos sobre a paixão pela vida marinha e seus ensinamentos, aprender a confiar nas pessoas, ser uma mulher em um meio predominantemente masculino, a solidão e saudade de casa, aventuras em meio a piratas e prisões no Caribe, mas, acima de tudo, sobre uma vida trabalhando em causas junto ao Greenpeace, Sea Shepherd e Avaaz.

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Não costumo ler livros autobiográficos, porém esse é mais que uma história sobre si, é uma história sobre o mar, sobre descobrir sua missão na vida e consequentemente se auto descobrir. Ler Sete Anos em Sete Mares foi surpreendente para mim. Começando ao folhear o livro, não tem como não se encantar com as belas imagens registradas pela própria autora, Barbara Veiga, ela que é fotógrafa e jornalista, documentou uma fase importante de sua vida que se estende e colhe os frutos bem merecidos até hoje.

Quando a lua e as estrelas despontaram na minha primeira noite em alto-mar, senti a paz e a felicidade que procuro nas coisas mais simples (e ao mesmo tempo grandiosas) com que a natureza sabe nos presentear.
Muitos pássaros nos visitam durante as navegadas. É interessante observar como eles se comunicam, a trajetória que seguem e a liberdade que os acompanha.

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Tudo começou unicamente a partir de sua paixão, a vida marinha, a natureza e seu ecossistema. Envolvida com causas socioambientais, Barbara Veiga abandonou o conforto da sua casa e se despediu dos amigos e familiares, trocando a previsibilidade da vida na terra, pela agitação do mar.

Meu sonho é rodar o mundo, conhecer novas culturas e espalhar a ideia de preservação ambiental.

Mergulhada em profundezas e cercada pelo azul, ela esteve só e ao mesmo tempo em meio a desconhecidos que se tornaram mais que conhecidos, pessoas que ela carrega consigo em sua memória, pessoas que fizerem parte do seu crescimento, que a fizeram o bem e o mal, porque não só te belezas se constrói nossas experiências, o que somos e deixamos de ser.

Há ativistas que lutam pela vida de outras espécies com tanto afinco que acabam se esquecendo do valor da vida humana. Do valor do diálogo. Chegam a afirmar que o planeta seria um lugar melhor sem os humanos. Esquecendo que os humanos somos nós, seres capazes de se sensibilizar com novas oportunidades de aprendizagem e transformação. 

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A maior detentora de todas belezas é a natureza, mas, infelizmente, o homem parece não ser tão grato pela vida que ela nos proporciona, tudo que é necessário para nossa subsistência se encontra nela e não precisamos extinguir suas riquezas. Por essa razão, pessoas como a Barbara Veiga resolvem proteger o nosso meio ambiente, estando em contato com as paisagens mais distantes, na constante sensação de risco ao desafiar a força da natureza para alcançar seu objetivo e enfraquecer a força dos homens e suas marcas destrutivas vistas do alto, no tom de vermelho no mar ou no vazio do desmatamento no coração da Amazônia.

(…) não estamos sozinhos. Temos o apoio de milhares de pessoas mundo afora, que acreditam no nosso trabalho. E, acima de tudo, temos o apoio uns dos outros. Estamos todos no mesmo barco, literalmente!

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Durante esses sete anos em sete mares, como ela estava sempre se deslocando, escrevia cartas sem esperar por respostas, algo que já acontecia de forma semelhante quando criança. Seu sonho sempre foi viajar pelo mundo, parecia um sonho distante que foi se transformando em realidade. Barbara quando pequena escrevia cartas aos seus pais, ela fingia que estava visitando diferentes países (fantasia, produção ilusória para a realização de um desejo), desenhava os selos e expressava o que sentia. Isso foi uma maneira lúdica que ela encontrou para pedir atenção e dizer como se sentia só. Seu pai na época era dependente de álcool e outras drogas, ele vivia nos bares. Sua mãe encontrou no trabalho um refúgio, se ausentando dos problemas da família enquanto fazia seus intermináveis plantões como médica.

Transformei em realidade uma aventura que habitava a minha fantasia de criança. (…) Acabei encontrando na mãe natureza, nas suas mais diversas formas, a harmonia que não tinha em família. E decidi lutar para preservar essa harmonia. Uma luta que já se esboçava na minha adolescência, quando mantinha na parede do quarto um pôster com a foto de uma linda baleia azul, ainda sem entender com clareza por que aquela imagem me tocava tanto.  

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Carta de Barbara para sua amiga Larissa, com quem compartilha suas novidades e experiências há mais de 20 anos.

Utilizando do mecanismo de defesa do ego chamado sublimação, Barbara Veiga foi da infância à adolescência traçando sua atual rota. Cada vez mais envolvida em prol do ativismo ecológico, ela conseguiu descobrir sua missão e continuar sendo forte o bastante, não mais para conviver diretamente com os problemas que a fazia mal e que não estavam em suas mãos servindo de gatilhos possíveis para angústia, frustração e desamparo. Ela foi em busca de realizar ações que poderiam estar sob seu controle e assim, conseguiu autonomia para mudar sua vida e a vida do planeta através de organizações ambientalistas como o Greenpeace e Sea Shepherd.

(…) aqui estão elas! Baleias jubarte! Várias! Nesse exato instante, percebo que toda a minha vida confluiu para que eu chegasse até ali. Lado a lado com essas criaturas majestosas, livres. Simplesmente indescritíveis. Sem dúvida, esse é o momento mais comovente de todos que passei junto à Sea Shepherd. Respiro fundo, para não tremer demais, e tiro fotos inacreditáveis de rabos de baleias. Lindas. Como o pôster que decorava meu quarto na adolescência, dez anos atrás (….) nasci para fazer isso. Fotografar a beleza da vida selvagem. 

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Missão de libertar atuns de duas fazendas irregulares, foi motivador para Barbara ver o cardume prateado nadando de volta à imensidão azul do Mediterrâneo.

Como os rituais de passagem (trote) praticados nos novatos dessas organizações ambientalistas, pessoas vem e vão de nossas vidas. Esse livro é sobre se sentir um estrangeiro no seu próprio país, é caminhar muito para frente e quando se olha para trás, já não se reconhece como parte daquele antigo todo.

Não sei se estou no lugar certo, com as pessoas certas (…) O importante é o que cada um consegue fazer. 

Pessoas vinham e iam das embarcações como a vida. Em cada parada, Barbara Veiga conhecia e se despedia de pessoas, se acostumava e precisa de desacostumar delas para seguir sua viagem, a cada distância, um novo desafio. Sete Anos em Sete Mares irá contar um pouco sobre a história de cada pessoa que ela conheceu em suas viagens e também sobre seus relacionamentos amorosos.

(…) brindamos aos encontros e desencontros da vida. Saí do navio sem querer olhar para trás. Enxuguei as lágrimas e procurei pensar nas aventuras que ainda estariam por vir.

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Além de podermos conhecer os lugares pela perspectiva da jornalista e fotógrafa, enquanto ela descreve seus passeios, podemos também nos deparar com questões culturais, como o conservadorismo muçulmano e as restrições impostas as mulheres ao retirar a liberdade delas na forma de véus e burcas.

Fizemos uma parada de algumas horas em Porto Said, no Egito (…) me convidaram para uma caminhada. Fiquei chocada com a maneira como os homens me encaravam, simplesmente porque eu não tinha o rosto coberto, como a maioria das mulheres. Senti vergonha e desconforto. Quis correr de volta para a segurança do meu camarote.

Conviver com pessoas das mais diversas nacionalidades e costumes pode ser bem estressante em alguns momentos. Com um espaço pequeno para o descanso do trabalho, o camarote do navio deveria ser dividido. Barbara Veiga tinha que ser flexível, paciente e cautelosa evitando o atrito. Embarcados por muitos meses, os tripulantes tinham muitas especulações a fazer sobre a vida alheia, se transformando num espaço propício para intrigas pessoais.

Algumas pessoas, quando passam tempo demais vivendo num navio, assumem uma postura estranha, territorialista.  

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O convívio social por vezes é desagradável e árduo pela a existência de diferentes personalidades envolvidas, porém é um exercício necessário para conseguir trabalhar em grupo. A fim de se distrair dos incômodos procedentes do convívio, o lounge era uma ótima opção de espaço. Lendo livros, ouvindo músicas e assistindo documentários e filmes, a jornalista e fotógrafa cita suas preferências, o que achei legal, pois reconheci alguns de seus gostos e anotei outros para conhecer.

Às vezes me incomoda a necessidade de falar constantemente um idioma estrangeiro.  

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Relacionamento amoroso já pode ser complicado em terra, imagine em alto-mar? Reviravoltas aconteceram. Inquieta, triste e feliz, Barbara Veiga soube lidar bem com as fases de uma paixão e teve que se auto-encontrar em alto-mar. Como dois marinheiros, um casal deve se ajudar a todo instante, uma viagem a dois pelo mar depende do companheirismo.

Morar num veleiro nem sempre é tão romântico quanto parece. Requer uma responsabilidade enorme. Quando ele dorme, sou eu quem cuida da nossa segurança a bordo. (…) O valor de cumplicidade é potencializado. Dependemos um do outro, literalmente. Qualquer problema precisa ser resolvido logo. Não há distrações. Não há um telefone à disposição, caso quisermos ligar para um amigo e tomar uma cerveja para desabafar ou fugir. No mar, não é possível se esconder de si mesmo.   

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A parte mais interessante e lamentável para mim foi sobre a cultura local das Ilhas Féroe. Não tinha conhecimento sobre caça baleeira que se mantém há mais de mil anos, nem sobre a matança dos papagaios-do-mar, estampados nos cartões postais como uma verdadeira atração turística para o meu espanto. Por lá, existem realidades muito tristes que são repetidas ao longo dos anos, pois vivem isolados em seus próprios erros. Grandes problemas de saúde poderiam ser resolvidos, mas não querem enxergar a solução, e pequenos males são resolvidos com mais matanças como as de golfinhos, rejeitando a possibilidade de um futuro. Sem vida nos oceanos, sem vida na terra.

Residências privadas e lugares públicos são decorados com ossos de baleia. 

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Resgate de uma tartaruga que estava em sofrimento, nadando com um saco plástico preso nela, o que limitava seus movimentos.

Do mar à terra, assim termina a viagem de Barbara Veiga. Depois de conhecer a vida marinha, ela termina se juntando às tribos indígenas da Amazônia, participando de rituais, aprendendo sobre as plantas medicinais e se aventurando na selva.

Nas minhas navegações, descobri que, no mar, não é possível se esconder de si mesmo. Na Amazônia, descobri que a floresta tem uma qualidade semelhante. Isolados na imensidão da mata, nos damos conta da nossa pequenez. E a floresta revela quem realmente somos.  

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Equipe Sea Shepherd

Presa, humilhada, violentada, vendo sua dignidade sendo retirada brutalmente pelos seus inimigos. A jornalista e fotógrafa sofreu maus bocados em suas viagens, mas sendo uma mulher de fé, ela soube manter a esperança, nunca esqueceu sua missão, não entrou em pânico, respirou e mergulhou literalmente no fundo das emoções de seu passado, construiu aos poucos um belo presente e conseqüente futuro.

Não foi nada fácil navegar pelo inóspito Oceano Austral ou escapar de piratas no Golfo de Áden. Mas todas as travessias que fiz me trouxeram aprendizados, amadurecimento e fortalecimento espiritual. 

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Ela necessitava de uma testemunha nos momentos de aflito, beirando situações de morte, o medo de morrer pela causa ambiental parecia não espantá-la mais, porém não poder se despedir e nem seu corpo encontrar é de apavorar qualquer um. Felizmente, nada de pior aconteceu, salva de todas adversidades, agora Barbara Veiga possui centenas de testemunhas do seus relatos. Como uma verdadeira marinheira e jornalista, ela soube contar histórias, e registrar momentos intensos por um click. 

Todos podemos ser heróis por um dia (…) daquele lugar e aquelas memórias. Só não quero as apagar completamente. Elas fazem parte de quem sou agora, do que estou disposta a fazer pelas baleias e por outros seres que precisam ter defendido seu direito à vida.

Quem é atraído por comportamentos familiares ou distintos, quem possui a mesma paixão pelo mar, pela natureza como Barbara Veiga carrega dentro de si, aconselho a leitura construtiva de Sete Anos em Sete Mares.

Nossa missão nunca vai terminar. Pelo menos até o dia em que todo o planeta se conscientize do valor da vida, não só a vida humana, mas de qualquer forma de vida necessária para o equilíbrio das espécies. 

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I.S.B.N: 9788555030871
Páginas: 336
Editora: Seoman / Grupo Editorial Pensamento
Autora: Barbara Veiga 

 

 

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