Minha Mãe É Uma Sereia – Análise Psicológica

Clássico dos anos 90, “Minha Mãe É Uma Sereia” marcou minha infância e, por isso, venho dividir com vocês essa comédia dramática, dirigida por Richard Benjamin, baseada no romance “Mermaids” (1986) escrito por Patty Dann. Ambientada nos anos 60, a trama traz Rachel Flax (Cher), uma mãe solteira, independente, de gênio forte, com duas filhas para criar, Kate (Christina Ricci em sua primeira atuação no cinema) e Charlotte (Winona Ryder).

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Charlotte, Rachel e Kate

O alvo desta análise psicológica é a relação conflitante entre Charlotte e Rachel. Um desafio para a mãe, a adolescente Charlotte só deseja ser freira, retraída, cheia de pudores, como esperado, a filha se sente incomodada tendo uma mãe tão distante do seu ideal de mulher, essa rejeição afeta Rachel. Filha e mãe se provocam constantemente e exercem papéis sociais bem distintos na pequena cidade de Eastport, Massachusetts.

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Mas, o caminho escolhido por Charlotte é possível? Ela pode ser o extremo oposto da mãe? A resposta é não, devido ao fator genética que todos carregam e a educação que recebem. Mesmo diante disso, alguns sujeitos negam a influência desses dois fatores determinantes na formação deles, isso se deve por um forte motivo, que geralmente está ligado a alguma mágoa ou situação traumática, eles então se utilizam de uma postura muito individualista, afim de alcançar o distanciamento de suas origens e consequente sensação de alívio, libertação.

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Toda criança formará sua personalidade e identificação se espelhando nas pessoas mais próximas, assim o grupo familiar exerce uma decisiva influência e se constituiu como parte fundamental no desenvolvimento social, emocional e na formação de caráter. Isso não nos impede na infância e adolescência de buscar uma identidade própria e demarcar nosso lugar em meio à essa estrutura familiar, esse movimento é saudável e por isso é provável, por exemplo, que você seja diferente do seu irmão (não importa o grau de diferença). Mas daí ter aversão à personalidade dos familiares e necessidade de reafirmar ser o oposto deles é, no mínimo, instigante e necessária a análise.

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Na adolescência é muito comum experimentarmos novos “eus”, a partir dessa observação, o psicanalista Erik Erikson constatou que alguns adolescentes formam suas identidades mais cedo, por assumirem os valores e expectativas dos pais, normalmente culturas tradicionais e menos individualistas ditam aos adolescentes quem eles são, ao invés de possibilitar que eles próprios se descubram e façam uma auto-análise. Outros adolescentes podem adotar uma identidade negativa que se autodefinem em oposição aos pais e/ou à sociedade, mas em conformidade com um determinado grupo de pessoas (como acontece com a personagem Charlotte ao decidir seguir o catolicismo e entrar para o convento). Existem também aqueles que parecem nunca se encontrarem, possuem uma identidade mal definida e supostamente terão dificuldades em estabelecer compromissos fortes. A verdade é que para a maioria das pessoas, a questão “Quem eu sou?” continua além da adolescência e reaparece em momentos decisivos durante a vida.

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Durante o filme percebemos o quanto filha e mãe eram parecidas. A princípio, elas se apresentam diferentes, uma recatada e a outra atrevida. Uma se envolvia amorosamente de maneira rápida e sem medo de qualquer julgamento, a outra quando se apaixonou, desejou um único amor para amar por toda a vida. Porém, alguns pensamentos que vagavam pela mente eram bem semelhantes e o comportamento de fuga diante dos problemas, então… nem se fala, não é a toa que Rachel vivia mudando de moradia e Charlotte sumia quando estava aflita sem deixar pistas.

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Fazer escolhas singulares que diferem você da sua família, deve ser uma atitude natural, quando não for o caso, pode ser uma fuga para não entrar em contato com algo vivenciado no passado que foi reprimido por ser doloroso, esse conflito psíquico será carregado até a aceitação de ser próximo da figura parental responsável por sua criação, por tornar você o adulto de hoje, aquele que divide uma carga genética que te define e estará contigo até seus últimos dias.

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O direito de querer mudar o que não aprova neles e que existe em você é válido, o reconhecimento dessas características é saudável, isso pode, sim, ser trabalhado quando julgamos ser prejudicial ao nosso desenvolvimento, mas consciente de que não pode ser eliminado por completo, principalmente, nos momentos de fragilidade, essas características reprovadas, talvez reapareçam em você, afinal nada é estável nessa vida.

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Querer negar qualidades positivas ou negativas dos seus pais existentes na sua personalidade (forma de pensar, sentir e agir), talvez esteja sendo também uma postura de negar a si mesmo quando não existe um empenho verdadeiro de mudança, um possível problema de autoestima. Desse modo, é comum fazer escolhas sabidas que serão reprovadas pelos pais, apresentando até um comportamento autodestrutivo para trazer sofrimento a eles como uma forma de puní-los (em casos mais complicados de relacionamento familiar) ou possa ser simplesmente uma maneira de afrontá-los.

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Uma adolescente num período de descobertas e amadurecimento, querendo ser uma mulher diferente daquela que a trouxe ao mundo e a enxergava todos os dias como sua própria imagem no espelho. E ainda que essa imagem parecesse desfocada com a sua, erros e irresponsabilidades eram repetidos em comportamentos familiares divididos por idades e experiências de vida diferentes.

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Além disso, na estória há um pai ausente, Charlotte não sabe seu paradeiro, o ato de querer se distanciar da personalidade da mãe, foi uma maneira encontrada por ela para se aproximar e se identificar com o pai, descobrir a história de vida dele, como seria seu rosto, gostos pessoais, se teriam afinidades. Charlotte busca formar uma imagem do pai em sua mente para acompanhá-la, principalmente, nos momentos em que percebia sua falta diante dos rumos que a vida da adolescente tomava.

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E como uma figura paterna pode funcionar de contraponto, por vezes, para equilibrar conflitos entre mãe e filha, já que Rachel apresenta um temperamento forte, sendo bastante complicado para Charlotte lidar. Nessa fase, entra em cena uma nova pessoa na família Flax, Lou Landsky, o namorado da mãe.

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O medo de Charlotte em se apaixonar se deve a vida amorosa conturbada da mãe que se envolvia com homens casados, trazendo transtornos e vergonha à filha. Qual será o destino de Charlotte? O que ela mais deseja é uma família típica dos comerciais de margarina, o contrário de sua realidade, mesmo ela tendo uma família bem divertida.

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E você, já assistiu “Minha Mãe É Uma Sereia”? Esse foi o post especial Dia das Mães. Conte para mim se gostou e curta se deseja ver mais clássicos por aqui :)

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