Christine Chubbuck: uma história verdadeira – suicídio

Dedicado ao setembro amarelo, mês importante da campanha para a conscientização e prevenção do suicídio, trago então, a verdadeira história de Christine Chubbuck. Com seu jeito introvertido, a jornalista e repórter Christine Chubbuck de 29 anos comandava o talk show matutino Suncoast Digest no Channel 40. Ela se empenhava muito para dar o melhor de si e se tornou uma mulher bem sucedida, porém ao mesmo tempo que fazia sua carreira, ela se sentia muito frustrada e desmotivada devido à falta de liberdade que tinha para conduzir suas matérias jornalísticas da maneira mais produtiva e relevante à população.

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A emissora Channel 40 apenas almejava matérias sensacionalistas para alcançar mais pontos de audiência, indo numa direção oposta aos ideais de Christine Chubbuck. Cansada de tanta frustração e depois de se ver enganada pelos seus próprios colegas de trabalho, no dia 15 de julho de 1974, a jornalista decidiu dar fim a toda angústia que vivia nos últimos anos de vida, ao vivo durante exibição do programa da emissora.

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Como um recado aos pedidos de seu chefe Michael e como ela se sentia dentro daquele ambiente jornalístico, Christine Chubbuck arquitetou sua própria morte, ela convenceu Michael e conseguiu fazer uma matéria sobre suicídio com a promessa de ser a mais sensacionalista de todas, como ele tanto exigia dela. Tremendo suas mãos levemente ao segurar os papéis na bancada do talk show e com a voz firme, Christine Chubbuck recitou suas últimas palavras:

Seguindo a política do Canal 40 de brindar seus telespectadores com as últimas notícias de sangue e vísceras a cores, vocês estão prestes a ver outra [notícia] em primeira mão: uma tentativa de suicídio”.  

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Após suas palavras, ela puxou o gatilho do revólver que portava e disparou na direção atrás de sua orelha direita. Desacordada, os telespectadores testemunharam a notícia mais sensacionalista que o Suncoast Digest jamais poderia transmitir, um suicídio ao vivo.

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Qualquer indivíduo é afetado pelo ambiente que convive, isso não se restringe apenas à sua casa, mas, principalmente, ao ambiente de trabalho, espaço em que a população passa a maior parte do tempo.

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Sua mãe Peg parecia uma hippie alienada, vivendo na paz e amor dos anos 70, de forma despreocupante e alegremente, acabava fazendo sua filha carregar todo o peso da vida e assim, Christine se sentia cada vez mais sozinha e lotada de responsabilidades. Pelo ponto de vista de Christine, parecia que ninguém se preocupava com ela, no momento que ela mais precisava ser ouvida, mesmo com seus esforços e com sua maneira oculta de chamar atenção, ela não conseguiu nenhuma palavra de apoio.

Viver otimista numa falsa realidade parece fácil, mas viver a vida de Christine parecia ser muito difícil e pesado. Muito estressada, a jornalista começou a sentir fortes dores no abdômen e descobriu que teria que retirar um ovário, devido ao grande tamanho de cisto que contia, sendo realizada a cirugia, o possível sonho de ser mãe jamais poderia ser concretizado, apenas o terrível sentimento de perda e luto pela impossibilidade de ter filhos.

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Christine Chubbuck era virgem e se sentiu usada pelo seu colega George Peter Ryan, um narcisista ou o famoso cafajeste e malandro, que a seduziu e fez ela acreditar que ele estava apaixonado. Durante esse tempo que Christine foi iludida, ela estava feliz por achar que era correspondida. Não demorou muito e a jornalista caiu na realidade ao descobrir que ele sabendo do sonho dela de trabalhar na emissora concorrente e escapar das exigências do seu chefe, chamou Andrea Kirby, com quem estava tendo um caso amoroso, para irem juntos trabalhar nessa mesma empresa.

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Completamente desapontada, Christine ainda realizava um trabalhado voluntário utilizando marionetes para entreter crianças portadoras de deficiências mentais dentro de um hospital. Além disso, ela também se preocupava em realizar matérias jornalísticas para a comunidade, isso mostrava como ela olhava o outro e como de certa forma desejava esse mesmo olhar. Ao redor de Christine, a maioria das pessoas estavam apenas vendo seus próprios interesses, isso é passado de forma clara no filme.

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Christine precisava apenas de amor e consideração, ela era inteligente e muito talentosa, mas sua vida parecia sem sentido, sem o olhar do outro. Cada vez mais solitária, ela tomou a decisão mais brutal e triste que poderia, a representação dos seus últimos anos de vida, foi mostrada para milhões de pessoas ao vivo sob forma de sangue e dor.

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Ela não deixou nenhuma mensagem escrita como a maioria dos suicidas fazem, mas como ela arquitetou tudo, uma nota já havia sido escrita por ela, para que sua colega de trabalho lê-se ao vivo logo após o suicídio como forma de esclarecimento.

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Anos antes do suicídio, Christine Chubbuck se mudou para a casa de campo da família em Siesta Key, na Flórida. Ela havia pintado seu quarto e decorado como um quarto de sua adolescência. O que visualmente demonstra que ela poderia estar usando o mecanismo de defesa chamado regressão que tem como objetivo de forma inconsciente, fazer voltar à época em que Christine se sentia mais segura, como uma forma de refúgio diante das angústias e dificuldades para resolver os problemas da vida adulta.

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Depois do lamentável suicídio, as investigações e entrevistas começaram e foi revelado que Christine Chubbuck tinha tendências suicidas, ela também lutava contra depressão há anos e inclusive quatro anos atrás, havia tentado se matar por meio de uma overdose de medicamentos, frequentemente ela fazia referência ao evento, provavelmente como uma forma de aviso. Circularam rumores de que a motivação para o suicídio, se deu devido ao fato da jornalista estar prestes a fazer 30 anos e ainda não ter se casado, e também não ter muitos amigos ou uma vida social muito ativa.

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Colegas de trabalho disseram que ela costumava ser ríspida e defensiva sempre que tentavam se aproximar dela. Também existem relatos de que Christine Chubbuck era autodepreciativa, estava sempre se auto criticando, nunca se achava boa o suficiente e não acreditava em seu talento (baixa autoestima), rejeitando qualquer elogio que recebesse. Anos mais tarde, seu irmão Greg Chubbuck lembrou que ela apresentava muitos sintomas de transtorno bipolar.

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Independente dos pensamentos que motivaram o suicídio de Christine Chubbuck, acredito que o fato dela ter se matado, tenha sido um paradoxo, porque mesmo tendo tirado sua própria vida, ela levava a vida muito a sério, isso pode ter sido a razão que mais destruiu todas suas expectativas para continuar vivendo, porque ao redor dela não havia a mesma importância dada por ela, tudo que ela fazia era em prol de algo maior e a frustração se tornava recorrente, levando ao esgotamento psicológico/emocional. Talvez a vida levada muito a serio era mais a vida dos outros, o mundo ao seu redor do que sua própria vida.

Até hoje as pessoas têm essa necessidade mórbida de procurar a gravação do suicídio público de Christine Chubbuck, porém as fitas da emissora foram confiscadas e provavelmente nenhum telespectador gravou essa tragédia que não estava prevista, mas foi transmitida.

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Não conhecia a atriz Rebecca Hall, sua atuação foi excelente no filme sobre Christine Chubbuck, aconselho a todos “Christine: uma história verdadeira”, pois muitas vezes a perspectiva de um suicida não é mostrada, o que dificulta a compreensão e a prevenção de mais ocorrências como essa, além da falta de reconhecimento do trabalho do psicólogo. Todos nós seres humanos, precisamos de ajuda. Por mais que achemos que podemos resolver tudo em nossa vida, tem coisas que não conseguimos, pois nem todas alternativas são pensadas e vistas de modo claro, objetivo e rápido.

O sofrimento é subjetivo, é na mente, é na alma, mas também existem suas causas objetivas. Muitos que estão de fora da perspectiva do suicida, não querem ver ou não conseguem visualizar a possibilidade de ocorrer o suicídio, talvez não levem a serio esse risco ou não tenham tempo para isso, cada vez mais as pessoas estão muito ocupadas para ouvir e perceber o sofrimento alheio, porém algumas realmente não conseguem ajudar, por mais que tentem, daí a importância do trabalho conjunto de um psicólogo e psiquiatra.

Somos seres grupais, mesmo aqueles que não se sentem assim, devem ter consciência disso. O amor faz milagres e também pode ser pano de fundo para tragédias e muito sofrimento. Observem todos os recados de um possível suicida, talvez ele esteja te pedindo socorro e você esteja muito distraído com suas preocupações para se atentar à possibilidade de um lamentável indício de suicídio.

4 comentários sobre “Christine Chubbuck: uma história verdadeira – suicídio

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