Admirável Mundo Novo, De Aldous Huxley - blog de psicologia Melkberg - Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley - ciência - realidade - sociedade

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Escrito pelo visionário Aldous Huxley, o clássico moderno “Admirável Mundo Novo”, publicado em 1932, é um romance distópico sobre uma sociedade totalitária fascinada pelo progresso científico e terrivelmente perfeita.

Aldous Huxley neste livro antecipou desenvolvimentos em tecnologia reprodutiva, manipulação genética, hipnopedia (hipnose auditiva, a repetição durante o sono de comandos previamente gravados) e condicionamento clássico. Tudo combinado para alertar como se consegue modificar uma sociedade de modo radical.

A história começa no Centro de Incubação e Condicionamento, que tem como lema do Estado Mundial: Comunidade, Identidade e Estabilidade. Ano 2540 (632 DF – “Depois de Ford”), em Londres (chamado estado da civilização), os habitantes passam pelo controle biológico e condicionamento psicológico para abolir o livre-arbítrio e viverem em “harmonia” com as leis sociais num sistema hierárquico de castas (Alfa+, Alfa, Beta+, Beta, Gama, Delta e Ípsilon). O objetivo maior é manter a ordem e interferir diretamente na formação da identidade dos indivíduos através de um processo organizado de manipulação, eliminando qualquer senso de individualidade e consciência crítica sobre a realidade.

Pessoas programadas em laboratório, adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento, e enquanto dormem suas mentes são bombardeadas com “propagandas” ideológicas. Cada casta vestia determinada cor e tinha acesso a determinado jornal. Isso tudo atuava reafirmando a identidade social, entretanto a segregação favorece o preconceito e assim foi feito. Acidentalmente no laboratório, o personagem Bernard Marx acaba por se desenvolver fisicamente centímetros a menos da altura dos integrantes de sua casta Alfa. Esse erro é grotesco dentro de uma sociedade esteticamente homogênea, ele passa então a ser alvo de discriminação, se sentir inferior e insatisfeito no mundo que habita.

Algo insignificante vira um defeito físico, rotulado como esquisito, Bernard Marx intensifica o sentimento de desprezo a si e a solidão, mesmo não sendo programado para sentir tristeza. Será que nessa condição desigual ele irá se rebelar? Inquieto, decide então conhecer uma sociedade excluída, o mundo dos selvagens, onde haviam índios e mestiços. Lá Bernard Marx encontra todas as “mazelas” que jamais conheceu: piolhos, suor, o mau cheiro, doenças, o envelhecimento e também os casamentos e as famílias (o que para o mundo civilizado era visto como antiquado).

Em “Admirável Mundo Novo” não existe a instituição da família, palavras como “pai” e “mãe” produzem repugnância, ter um filho era considerado um ato obsceno e impensável. E possuir uma crença religiosa era um ato de ignorância e de desrespeito à sociedade. O objeto de crítica de Aldous Huxley é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, a economia freneticamente girante, onde tudo é tão artificial… produtos, pessoas e felicidades são descartáveis. A ciência, a racionalidade se torna a nova religião, a experiência do sujeito não faz mais sentido. Os indivíduos são condicionados a ficarem longe dos livros, assim não havia abertura para questionar o sistema e os deveres que eram impostos, obras literárias como as de Shakespeare adquire tons revolucionários.

O controle do comportamento indesejável por intermédio do castigo é menos eficaz, no fim das contas, do que o controle por meio de reforço do comportamento desejável mediante recompensas.

No estado civilizado, os habitantes foram condicionados a terem uma falsa impressão de liberdade e autonomia. Qualquer um que tivesse a consciência da ausência de individualidade, por exemplo, era retirado e excluído da sociedade, para que não “contaminasse” os demais.

“Admirável Mundo Novo”: O Visionário Aldous Huxley 

Manipulação genética

O mundo distópico criado por Aldous Huxley, além da reprodução in vitro, manipulava geneticamente os embriões, para que os bebês nascessem com características pré-determinadas, de acordo com a sua casta. A possibilidade de manipular geneticamente seres humanos se tornou a nossa realidade, permitindo cada vez mais aos pais a seleção de embriões, inclusive, para fins estéticos.

Psicotrópicos

Caso houvesse qualquer emoção desconfortável, comprimidos a mais de “Soma” eram indispensáveis para os personagens obterem relaxamento e alegria. Isso gera a incapacidade para lidar com sentimentos naturais dos seres humanos, como tristeza e angústia. 

A cada ano é comprovado o aumento do uso de psicotrópicos em indivíduos saudáveis. Quem busca ajuda profissional quer soluções rápidas para as desordens complexas e subjetivas da mente. O uso de psicotrópicos se torna a primeira etapa do tratamento e muitas vezes, a única. Sem acionar recursos pessoais de enfrentamento para as frustrações, o medo e ansiedade, somente a fuga da realidade é fornecida.

Rejuvenescimento, vida sexual ativa, anticoncepcionais e relacionamentos superficiais

A valorização da beleza, da juventude e o envelhecimento tardio se assemelham muito com a preocupação elevada em relação a aparência física em nossa cultura atual. As pessoas idosas são esteticamente jovens, trabalham e são sexualmente ativas. Somente nos anos 90 que o Viagra chegou ao mercado, mas os personagens criados por Aldous Huxley já experimentavam pastilhas de hormônio sexual. Na trama também há uma série de cuidados em relação aos métodos contraceptivos prescritos pelo governo local, garantindo que as mulheres não se tornassem mães.

As mulheres não devem engravidar, mas devem relacionar-se sexualmente com muitos homens, qualquer desejo precisa ser realizado de imediato. Contra a monogamia. Não existe mais vínculos amorosos, pois as intimidades são consideradas sufocantes. Relacionamentos superficiais e muita promiscuidade, para que as pessoas apenas curtam o momento presente, sem sofrer de amor. Parece familiar, não é? 

Conclusão sobre o livro

Embora a história seja superinteressante, “Admirável Mundo Novo” não foi um livro que devorei em poucos dias, mesmo assim considero importante ter acesso à essa crítica bem elaborada sobre a busca desenfreada pelo prazer e felicidade (hedonismo), a beleza estética padronizada (higienismo social) dentro de uma sociedade altamente consumista. Aliás, Ford é o novo Deus nessa realidade distópica. A leitura faz refletir sobre os riscos e perigos da falta de ética nos avanços científicos e tecnológicos, o “falso progresso” que pode colocar em risco o futuro da humanidade.

A profecia de Aldous Huxley é perturbadora. Uma sociedade condicionada e intoxicada quimicamente para mostrar felicidade. Considero que o problema não está na ciência, está no limite que o ser humano estabelece, é evidente a existência de uma tendência destrutiva, controladora e manipuladora ao utilizar de forma indevida e desenfreada os instrumentos do conhecimento científico e suas invenções.

Há uma espécie de cegueira, onde somente os aspectos objetivos vem sendo valorizados em detrimento dos subjetivos. A lógica do funcionamento das máquinas está sendo aplicada às capacidades humanas. Somos pressionados, ficamos esgotados e recorremos a comprimidos para suportar a dor, angústia e diminuir a ansiedade, pois estamos condicionados a mostrar perfeição, um potencial inalcançável, pois é desumano.

Espero que possamos ter mais sensibilidade para visualizar e tomar a melhor decisão em relação aos malefícios do uso mal-intencionado dos recursos da ciência. O mais assustador é constatar semelhanças e acontecimentos em andamento da ficção para a nossa realidade atual.

O contexto em que cada um está inserido influencia diretamente a forma de ser, mesmo que isso não seja perceptível a todos, e acreditemos que somos cem por cento livres. Ficam aí algumas das questões que Aldous Huxley instiga em “Admirável Mundo Novo”: Prisões são mais eficientes com grades ou com doutrinas? Felicidade é mais valiosa com conquistas ou com drogas? Qual é o sentido da vida? A vida precisa ter sentido?

Aldous Huxley

Ficou com vontade de ler?

Encontre aqui o clássico Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Comprando o livro com meu link você ajuda o Melkberg.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s