Evolução - blog de psicologia Melkberg - evolução - tempo - mundo - velhos - presente - evolucao

Evolução

Os avanços da ciência, principalmente da tecnologia, podem fazer os mais velhos terem uma visão de mundo mal compreendida, com certo espanto ou pessimismo. Alguns jovens descrevem isso como mentalidade atrasada, uma expressão genérica e retrógrada assim como aqueles que não desejam o progresso. Seguindo a cosmovisão depreciativa, os mais velhos acabam também diminuindo a imagem referente à atualidade, saudando sempre os bons e velhos tempos.

A evolução acontece e temos que aceitar, sendo ela boa ou não, senão ficaremos obsoletos, pausados no passado. De certo modo, não deixa de ser saudável acumular memórias nostálgicas. Mas… só reclamar do presente e achar que tudo atrás era melhor do que o tempo de agora, se torna algo crônico que tende a se agravar com o passar dos anos, pois a insatisfação com o presente só aumenta.

Mudar um pouco as suas ideias não faz de você alguém incongruente, sem autenticidade, ao contrário, faz de você alguém que está disposto a aprender tudo que cada ano pode ensinar. Te faz apreciar os comportamentos e as mudanças na sociedade. Faz de você um acompanhante do mundo e do tempo, curioso para descobrir as próximas novidades e como elas podem fazer alguma diferença na sua vida.

Quando alguém não se reconhece na sociedade atual, desqualifica o tempo real, vê com olhos de decadência, repúdio, acreditando que o mundo está prestes a se acabar. Você pode discordar de algumas tendências, mas, ao invés de somente se queixar, procure formas de transformá-las, dê significado ao novo que agregue algo de positivo à sua vida, mesmo que seja apenas uma reflexão produzida. Guarde o que tinha de melhor no seu passado, mas não ignore o seu presente e faça um futuro diferente.

A informação flui muito rápido numa velocidade luz, inalcançável e provoca seus efeitos, muitos não percebem a dimensão e dizem sentir uma ansiedade insaciável nessa cadeia produtiva. Para a juventude um conselho: não seja um ignorante, mas se retire um pouco do excesso de informação, pois isso não significa necessariamente conhecimento, ninguém é capaz de assimilar tantas coisas ao mesmo tempo.

Se preocupar excessivamente com o externo não abre possibilidade de se conectar com o interno, não há espaço para uma auto-análise, nem questionamentos. Se você anda ligado o tempo todo no que está acontecendo no mundo, você apenas reagi a ele, você não agi. Somente olhando para a janela de fora, um dia você tem grandes chances de se desconhecer e não saber aonde foi parar ao ser esquecido por si próprio.

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ARTE

Pintura surrealista – “Tempo Trespassado” (1938), de René Magritte.

Uma das obras de arte mais conhecidas do pintor reflete uma sala limitada e misteriosa através do espelho sobre uma lareira. Em cima da lareira há um relógio e saindo dela há uma locomotiva a vapor destruindo a paz da sala e viajando através do tempo.

A mensagem não é simplesmente fazer com que o absurdo pareça possível, trata-se de revelar o invisível. O trem agora é o tempo atual, ilusório, parece se mover para frente, quando na realidade não está indo a lugar nenhum num momento eternizado pelos ponteiros do relógio parado.

4 comentários em “Evolução”

  1. Em alguns momentos a evolução fica presa em nossa nostalgia, quando essa nostalgia é alimentada por alguma dor, uma tristeza que nos faz enxergar no passado um refúgio no qual desejaríamos estar lá, e não queremos que o tempo passe, pois pelo menos lá, nesse passado confortável, não tínhamos a dor que temos hoje (e isso nos impede de evoluir, a tristeza é um dos empecilhos para nossa evolução, apesar da evolução brotar da tristeza, mas nesse caso só quando ela é vencida e superada).
    Recomendo ouvir a música “Meu Pranto a Deslizar” de Deny e Dino, colocarei a letra dela aqui mas recomendo que ouça, uma canção da jovem guarda que retrata bem esse sentimento de romantizar o passado pelas feridas do presente.

    Na luz de um triste entardecer
    Vejo crianças que a correr
    Vão sorrindo por aí
    Enquanto eu sinto vontade de chorar

    À luz do triste anoitecer
    Correm felizes, sem saber
    Que também já fui feliz
    Fazem tudo que eu já fiz
    Num tempo que não volta mais

    Vendo a alegria de viver
    Dessas crianças a brincar
    Lembro sem querer que eu
    Já fui feliz
    E hoje vivo a chorar

    Todas pessoas carregam dentro de si um momento especial da vida, aquela fase na qual se muitos tivessem a oportunidade ficariam presos nela, e valorizamos demais esse momento, e queremos que acontecesse novamente, e nossa vida fica presa nesse espaço tempo, e não aceitamos nada novo, desejando que aquele momento da vida se eternizasse.
    É claro que momentos especiais todos nós temos, mas prisão acontece quando enxergamos que só o passado valeu a pena em nossa vida, as vezes motivado por uma profunda dor do presente, queremos voltar ao passado e não sair de lá.
    E isso nos faz desprezar o presente impedindo nossa evolução, seja ela de adaptação ou de consciência.
    Mas no caso de desprezar o presente, não digo apenas a rejeição da evolução de objetos materiais, do mundo tecnológico, mas rejeição de si mesmo, do seu presente, (sobre o avanço tecnológico, que é muito amplo e abrange muitas áreas, nem sempre é apenas uma não adaptação dos mais velhos em acompanhar os avanços e rejeitá-los por não entendê-los, mas a dor pode ser um dos motivos, quando a dor do presente é tão grande e nos rendemos a prisão que a nostalgia pode nos causar, a não aceitação de novos avanços tecnológicos pode acontecer, pois a um apego tão profundo a um determinado momento do passado da pessoa, que ela não quer sair dali, tudo que tira ela desse momento, dessa época, desse conforto ela rejeita.
    E isso acontece com mudanças de ambientes (organização, estrutura), como no filme Reine sobre Mim 2007, em que o protagonista, após a morte de sua família, não aceita ter mudanças em sua casa pois ele quer deixar todos os móveis no mesmo lugar de quando sua família estava presente, nesse caso não é porque ele está rejeitando o novo pelo medo ou desconforto cultural que o novo pode trazer, mas sim porque ele quer ficar próximo daquilo que o faz lembrar de sua família, e o novo pode desfigurar o conforto daquelas lembranças, e uma pessoa que vive nessa bolha traumática do passado, tem motivos diferentes pra rejeitar o novo, sendo tecnológico ou não, tudo que o tira daquele mundo é um ataque a seu passado, e só uma superação dessa situação – que é uma evolução – pode reverter esse apego ao passado.

    Por outro lado, muitos que se afastam dessa evolução tecnológica não necessariamente estão presos em uma nostalgia profunda de seu passado, mas pode ser apenas por não compreenderem toda essa evolução dinâmica que acontece, e tudo aquilo que não entendemos acabamos desprezando, e é natural os mais jovens estarem mais abertos a novos avanços e conhecimentos.
    Minha avó por exemplo nunca teve interesse em celular, apesar da tentativa de dar um de presente para ela, mas ela dizia que não entendia esse aparelho, e por não entender ela preferia não utilizar. Como você disse em sua matéria, “uma visão de mundo mal compreendida, com certo espanto e pessimismo”.
    Mas infelizmente muitas pessoas sofrem dessa prisão que o passado pode nos colocar, mergulhando numa nostalgia e não querendo mais sair dela.
    Mas é claro que a nostalgia não é ruim, quando não nos tornamos refém dela, a nostalgia é prazerosa, é como você colocou no texto, “não deixa de ser saudável acumular memórias nostálgicas”.
    Mas desde que ela não atrapalhe nosso presente.
    Eu me considero uma pessoa nostálgica, que gosta de ter aquilo que foi importante pra mim, eu tenho uma coleção de filmes que me marcaram, alguns presentes que ganhei quando criança, tenho guardado meus cadernos da época da escola, gosto desse contato com meu passado mas sempre valorizando meu presente.

    Um segundo ponto que gostaria de comentar é, qual a evolução de nossas criações? O objetivo que temos com elas é a verdadeira evolução? A evolução de obras artísticas está em sua parte técnica ou em sua essência? É claro que ambos são importantes, mas qual deveria ser mais valorizado?
    Por exemplo, fiz um texto a alguns meses refletindo sobre o mercado de jogos eletrônicos que tem crescido cada vez mais, e nesse meio uma coisa é muito valorizada, o design, gráfico, visual, estética, ou seja, a parte visual dos jogos. (Assim como valorizamos a parte instrumental de uma música, ou a direção e fotografia de um filme).
    E essa área é dividida por gerações, ou seja, cada geração um aparelho novo é lançado, e o que justifica a troca de geração? Estética, visual. É claro que existem muitas outras coisas envolvidas como trilha sonora, detalhes técnicos como quantos quadros o jogo funciona por segundos, processamento, memória, etc. (Quase igual a evolução de celulares, tem muita questão técnica envolvida), mas resumindo o pulo de geração é centrado na parte gráfica.
    Mas levantei uma questão, “podemos considerar a essência de um jogo a verdadeira evolução de uma geração?” A necessidade estética pra justificar a mudança de geração é uma evolução no sentido de evolução como objetivo de impactar as pessoas ou uma evolução no que diz respeito a mecânicas, técnicas utilizadas? Ou o que chamamos de “evolução” centrado na técnica, visual, estética é uma involução da essência que o objeto carrega e seu poder de influenciar pessoas?
    A evolução de algo, não somente jogos, mas filmes, músicas, pinturas, livros, está em sua parte técnica ou no objetivo de sua criação?
    Não vejo ninguém debatendo sobre isso e é um tema a se pensar.
    Será que a essência não é a evolução que precisamos? Vamos pensar, evoluindo o poder da essência positiva ao se criar uma obra, mesmo perdendo em sua parte técnica, trará uma evolução maior ao ser humano em comunicação e sensibilidade. Concorda? O que acha?
    (Se for possível leia no meu blog o texto, “Qual o Objetivo de Uma Obra Artística? A Essências Nos Jogos”).
    Eu não acompanho sites de análise de filmes, pois vejo neles a parte técnica ganhar mais destaque que a essência que o roteiro quer transmitir, como por exemplo o filme Sinais 2002 ser criticado por trazer uma visão muito caricata de uma invasão alienígena, sendo que o filme em sua essência fala sobre a fé presente no ser humano, e esse cenário de ficção científica que o filme tem é apenas um pano de fundo pra explorar questões internas do ser humano, algo que e o diretor Shyamalan faz muito bem.
    (É claro que a parte técnica é importante numa obra, mas e a mensagem dela?

    O resumo seria que pra mim o objetivo de um artista é que sua obra, independente de qual for, seja importante para alguém e pra ele mesmo, que transmita algo, uma ideia, uma mensagem.
    Será que não é essa evolução no mundo artístico que precisamos, uma evolução de significado e não somente de técnica. Quantas obras artísticas nos marcaram? Quantas músicas possuem um significado para nós?
    Muitas vezes a história de um livro, que tecnicamente não é tão bem escrito, possuí ali um significado tão profundo em nós que esse significado ultrapassa sua simplicidade de linguagem.
    Será que a evolução não está no artista, seja lá qual criação ele faça, em querer buscar um significado para sua obra, querer colocar parte de si naquilo que faz, e isso não seria mais importante que apenas valorizar a técnica utilizada?
    A parte técnica das obras de Charles Schulz evoluíram com o tempo, mas sua essência não mudou, é normal toda criação evoluir, a cada livro, filme, música, poema, escultura, pintura, nossa parte técnica evoluir, mas e seu significado? Será que não temos muitas obras carregando qualidade técnica excelente mas sendo vazio em seu significado?
    “Mas é claro que nem toda arte é feita com esse pensamento (a de impactar alguém ou colocar partes de si na criação), mas será que não é nesse ponto onde deveria ocorrer a mudança? Será que não é essa evolução que precisamos?”

    Um terceiro ponto, que infelizmente não vai ter como eu falar muito sobre ele para não estender o comentário, seria a forma como lidamos com a nossa evolução e a não evolução de obras artísticas, de qualquer criação que fazemos.
    Pensa comigo Cintia, uma obra criada, por exemplo um quadro, ele não evolui, uma criação ela é fixa, o artista pintou aquele quadro com aquele sentimento, e essa obra carregará esse simbolismo e sentimento por todas as gerações, mas o artista em si evolui, e quem aprecia sua obra também evolui.
    Uma música ou poesia carregará para sempre os sentimentos com o qual elas foram criadas, elas não evoluem, uma canção que passa uma determinada mensagem ela continuará passando essa mesma mensagem independe da geração. Mas quem as criou e quem as apreciam evoluem.
    Mas como lidamos com a nossa evolução e com essas obras que nos marcaram?
    Existem muitos casos em que criamos algo, e no futuro aquilo já não nos serve.
    Um escritor por exemplo pode escrever um livro hoje, e ele será influenciado pelo modo de ver o mundo atual e suas emoções, mas que no futuro ele pode olhar para esse livro e apenas enxergar nele algo do tempo, que foi importante na época mas que hoje já não lhe serve mais, ele evoluiu não só com aquelas ideias mas também em sua interpretação em relação ao mundo.
    Um livro que lemos numa determinada época hoje já não é tão útil para nós, apesar de ter sido na época. Uma música que foi importante para nós alguns anos atrás, hoje já não tem o mesmo significado, pois as emoções que sentíamos na época já mudaram.
    Então uma obra ela é fixa, como uma cápsula do tempo, em que podemos entender as emoções e intenções do criador na época em que determinada obra foi criada, mas as pessoas a sua volta evoluem e seu significado em nós muda.
    Assisti a entrevista de um cantor que ele diz que sua banda favorita é Legião Urbana, mas ele confessou que atualmente tem evitado ouvir as músicas do grupo, pois sempre que as ouve, algumas letras lhe transmitem tristeza, elas foram importante para ele no passado, representou seus sentimentos na época, mas que hoje ele evoluiu em relação aquelas emoções e que algumas canções tem outros significados para ele.
    Interessante esses dois lados, a nossa evolução humana pessoal em relação ao que criamos e consumimos.
    Quantas coisas que foram tão importante para nós no passado, mas que hoje já perderam seu significado, elas continuam a mesma coisa, mas nós evoluímos em relação ao que elas significam para nós.

    Desculpa pelo comentário grande, é que tirando o site Recanto das Letras e o seu blog, eu não conheço nenhum outro site com bons textos que trata de temas sobre psicologia, e sempre gostei de me aprofundar nesses assuntos. Se conhecer sites com esses temas pode recomendar. Minha prima também é psicológica e ela havia criado um site a alguns anos, mas acabou não dando continuidade.
    Parabéns pelo texto.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nunca estudei sobre o assunto, mas como tudo na vida, a arte também é influenciada pelos avanços na tecnologia. Acredito que nem todos os artistas seguem tendências, também existe o público que não agrada muito aos olhos a estética atual, e tudo bem é uma questão de gosto e perspectiva. Alguns priorizam mais a estética e o que há de mais moderno na arte, já outros preferem o propósito e mensagem que criação artística deseja transmitir.

      Para mim, o mais legal de qualquer manifestação artística é quando o público admira e interpreta a arte de acordo com o estado emocional e subjetivo da mente, e também quando o criador resgata os momentos do passado que ficaram marcados numa tela, livro, música e etc.

      Imagina… desculpa eu pela demora em responder os comentários. Muito obrigada por acompanhar meu trabalho :)

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