Beirando

Beirando os trinta e pensando na vida…. notas sobre o amadurecimento.

Quando era mais nova, eu não gostava de ser criança e torcia logo pela chegada da fase adulta. Hoje, percebo que tudo foi ao vento, mas, também não desprezo meu antigo pensamento, pois eu via pontos negativos em ser uma criança, o que me fez valorizar menos minha infância.

Quando cheguei na fase adulta, eu achava as crianças sem graça e gostava de ser adulta, mas logo chegaram as responsabilidades e chatices dessa fase e percebi que perdi o tempo da minha infância.

Agora, beirando os trinta e pensando na vida… acho as crianças geniais, adoro elas (não todas), muitas têm um jeito especial de ser e eu admiro, principalmente, após as primeiras experiências atendendo crianças durante meu estágio de psicologia, percebi desde então, como elas são espertas e mais desafiadoras que os adultos.

Quando se percebe que já pensa em ter um filho, em gerar uma criança, você passa a se ver em outras crianças, cada uma delas pode ter um pouco de quando você era na sua infância, e isso é demais!

Quando se é muito novo, sua família conta histórias sobre você e estar no centro das atenções, é maravilhoso. Quando o amadurecimento chega, isso não é mais o centro das atenções para você, não há uma necessidade de ser notado pela família. Se você recebeu atenção, ótimo, senão você continuará sem atenção. Isso não importa mais. Amadurecer, é isso.

Amadurecer é deixar os mais novos chegarem, e você não deixa de existir por isso, apenas aprecia o seu passado nos mais novos e compartilha suas ideias com eles, sim, pois alguns deles te entenderão e, é claro, compartilha também com os mais velhos e da sua idade.

Muitos novinhos tem cabeça de velhinhos e existem velhinhos com cabeça de novinhos. Pessoas amadurecidas intelectualmente não dependem da idade para serem ou não o que quiserem, elas simplesmente são.

Você percebe que amadureceu quando não quer ganhar discussão nenhuma, você procura o diálogo e a compreensão. Passa a ser menos rígido consigo mesmo e vive a vida como ela é. Tem direito a sonhar? Sim. A fantasiar? Sim. Isso vai de acordo com a cabeça de cada um.

Não perca a capacidade de amar, acreditar no mundo, nas pessoas, às vezes, esse exercício pode machucar muito, mas é necessário se manter assim para ser jovem. Ser cético pode ter seu charme, porém o que mata o ser humano é a descrença. Então, prefiro crer ainda. Quem não quiser chegar junto comigo, será uma pena, siga o seu caminho que eu não vou amar sozinha.

A criança se perde dentro da gente quando nos amadurecemos, é preciso resgatá-la em alguns momentos para seguir em frente.

 

 

Pintura – Méditation (1899) de Charles Amable Lenoir.

 

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