Imagine John Lennon, uma biografia resumida – parte 2

É difícil alguém ler algo sobre John Lennon e não recorrer à nenhuma lembrança, sentimento, emoção ou até mesmo estranheza. Meu primeiro contato com a música dos Beatles e com a figura de John Lennon foi na infância, eu gostava muito de ouvir “yellow submarine“, depois me recordo que estava assistindo a cena clássica do filme “Curtindo a vida adoidado”, em que Ferris (Matthew Broderickcanta) canta “Twist and Shout” durante um desfile na cidade de Chicago e descobri desde então, que não tinha como não gostar dos Beatles.

Nessa segunda parte e final da biografia resumida, falarei sobre o processo criativo e a importância da música na superação da infância e adolescência traumática de John Lennon, e também vou enfatizar temas mais polêmicos, espero que gostem. Se você ainda não leu a primeira parte, é so clicar aqui!

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RUMORES SOBRE A BISSEXUALIDADE DE JOHN

Aos poucos o comportamento polêmico de John Lennon cedia lugar para Yoko Ono. Depois dos rumores de que Lennon teria tido um caso com o empresário Brian Epstein, Yoko afirmou que tanto ela quanto John, encaravam a bissexualidade de maneira natural, no entanto, ela acreditava que eles não tiveram nenhuma relação sexual, apesar de ter certeza que o empresário flertava com seu marido.

John e eu tivemos uma longa conversa sobre isso, e dissemos, basicamente, que todos nós somos bissexuais. Mas pensamos que só não nos assumimos como bissexuais por causa da sociedade. Então escondemos o outro lado de nós mesmos, que é menos aceitável. Mas eu não tenho um forte desejo sexual por outras mulheres.

Yoko Ono.

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Brian Epstein e John Lennon

A sexualidade de Lennon também foi abordada em sua biografia, John Lennon: A Vida lançada no Brasil em 2009 pela Companhia das Letras. O autor, Philip Norman, afirmava que o músico chegou a sentir atração por Paul McCartney, seu companheiro de banda.

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Yoko, Lennon e Paul

COMPORTAMENTO VIOLENTO

Ativista pela paz, John Lennon fazia discurso pacifista, mas também era reconhecido pelo seu temperamento explosivo, sem saber controlar sua raiva, não era raro ele se envolver em brigas, uma vez ele até brincou dizendo que não queria acabar morto como o Gandhi e Luther King.

No livro da sua primeira esposa, Cynthia Powell, ela escreveu que ele uma vez bateu em seu rosto depois dela ter dançado com Stuart Sutcliffe (amigo do casal) em uma festa. Segundo Cynthia, ele não sabia lidar com as contrariedades, não tolerava ouvir “não”, e às vezes tinha ataques de ira e ciúme. John mesmo admitiu seu comportamento violento, e revelou que foi por esse motivo que fazia constantemente seus pedidos de paz e amor.

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Eu costumava ser cruel com a minha mulher, eu batia nela e a mantinha afastada das coisas que ela amava. Eu era cruel com minha mulher, e fisicamente – com qualquer mulher. Eu era um batedor. Não conseguia me expressar e batia. Já lutei contra homens e bati em mulheres.

John Lennon

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É por isso que eu sempre defendo a paz, entende? São as pessoas mais violentas que buscam o amor e a paz.

John Lennon

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John uma vez atacou fisicamente MC Bob Wooler do Cavern Club, ele era um amigo muito próximo dos Beatles. Nesse episódio violento, John estava bêbado e se sentiu insultado após seu amigo dizer que ele era homossexual e ter um relacionamento íntimo com o empresário dos Beatles, Brian Epstein. MC Bob Wooler acabou hospitalizado, tendo suas costelas quebradas.

JOHN E YOKO, A RELAÇÃO HIPERMÍDIA

Olhando as fotos de John Lennon e Yoko Ono, percebi que a maioria delas, o visual do casal é idêntico, também tive dificuldades de encontrar fotos de John Lennon sozinho depois que começou seu relacionamento com Yoko. Como uma relação simbiótica, John e Yoko, se tornaram uma pessoa só. Do mesmo modo que acontece com mães e filhos, uma relação fora do comum se formou para facilitar a sobrevivência, mas com o avanço, esse tipo de relação tende a ser patológica devido à falta de individualidade e espaço para o outro.

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Acredito que seu tipo de relacionamento com Yoko, fez com que a personalidade e identidade de John enfraquecesse e por isso ele acabou perdendo o respeito de muitos, inclusive, diziam que todas as figuras que ele amava, esqueceu depois que esteve com Yoko. Durante o documentário Imagine em que assisti, essa observação fica evidente através do relato das pessoas, porém também acredito que tudo pode ser uma questão de interpretação e pontos de vista.

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John expressava seus pensamentos mais profundos com crueza em sua nova etapa ao lado de Yoko: Não acredito na magia… Não acredito em Elvis… Não acredito nos Beatles… O sono se acabou… Eu era uma morsa, mas agora sou John…”. Fazer música já não o motivava, não era motivo de alegria e nem de satisfação, apenas uma questão de negócios, ele se sentia cada vez mais preso e se destruía com o uso de bebida alcoólica e LSD, além da heroína, que o casal era viciado.

O relacionamento com Yoko trazia traços de idealização da figura feminina e apego, ele projetava em Yoko a imagem de sua mãe, como uma forma de preencher a ausência materna em sua vida. Yoko seria a substituta de Julia Lennon (mãe de John) que proporcionaria a segurança que ele tanto queria. Na música Woman (mulher) dedicada à Yoko, John expõe seu desejo de ser aceito por ela.

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Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos
E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração

Trecho da música Woman

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A imprensa e os fãs dos Beatles atacavam Yoko. Para defender ela, John declarou que ambos eram uma só pessoa, assim eles se tornaram inseparáveis, fazendo tudo juntos como as músicas e protestos contra a guerra do Vietnã. Um dos acontecimentos que contribuíram para John Lennon virar motivo de chacota, foi a experiência denominada por eles como “BedTIn”, onde o casal ficou por dez dias numa cama gravando ideias para serem divulgadas na mídia, reafirmando o famoso slogan “faça amor, não faça guerra”.

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Yoko Ono era odiava por muitos, a mídia britânica destacou a feiúra, extravagância e sua presença asfixiante, sendo o motivo do fim dos Beatles. Apesar das críticas, a artista japonesa, Yoko Ono, deve ter estimulado ainda mais a capacidade criativa de John e tinha afinidades com ele. Mesmo com as constantes declarações públicas de amor, o relacionamento do casal não era tão romântico assim como nas imagens, e todos ficaram sabendo do fim de semana perdido, nomeado pelo próprio John e que Yoko estava ciente da traição. Na Califórnia, John Lennon se divertia com amigos e com sua assistente pessoal e amante May Pang, o fim de semana perdido se estendeu e o relacionamento extraconjugal durou 18 meses. Após retornar para Nova York e se reconciliar com Yoko, em 1975, nasceu seu segundo filho chamado Sean Lennon.

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May Pang e John Lennon

DIFERENÇA DE COMPORTAMENTO COM OS FILHOS – JULIAN E JOHN LENNON

Com o passar do tempo, John parece ter substituiu as agressões por uma indiferença total e absoluta por Cynthia e Julian. Após o divórcio, ele se afastou drasticamente dos dois. Inúmeras biografias já publicadas sobre os Beatles e especificamente sobre John Lennon, apontam que essa mudança se deu pelo relacionamento com Yoko Ono. Enquanto isso, Yoko tentava viver em harmonia com sua filha Kyoko Cox, fruto do seu casamento com o segundo marido, Anthony D. “Tony” Cox, mas as coisas não estavam indo bem, ela perdeu a guarda da filha, quase não se falavam e a relação de Kyoko Cox com a mãe e o padrasto John tinha muitas dificuldades.

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Kyoko, Yoko e John

Os pais são considerados uma forte representação para seus filhos, é na infância que eles repassam suas qualidades positivas e negativas. Para construir uma base forte de auto estima e segurança nos filhos é necessário construir uma relação forte de amor e respeito para desenvolver filhos saudáveis psicologicamente e fisicamente. Como John Lennon não teve uma infância favorável para esse desenvolvimento, e sim uma relação disfuncional com seu cuidador (mãe e pai), isso acabou se repetindo automaticamente com o seu primeiro filho, Julian Lennon.

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Julian e John

Houve um período de reaproximação quando Julian tinha 11 anos, mas ele desabafou que seu pai abusava emocionalmente, repreendendo-o e gritando com ele até levá-lo às lágrimas, na maior parte das vezes isso ocorria quando Julian estava sorridente e feliz. Essa agressividade verbal e psicológica praticada por John, marcou drasticamente a personalidade de Julian desenvolvendo insegurança e baixa auto estima. Na ausência da figura paterna, Julian se apegou muito a Paul McCartney.

Em 1975, John fez algo que não havia feito com seu primeiro filho Julian Lennon, após nascer o segundo filho Sean Lennon com Yoko Ono, John deixou a vida pública e interrompeu sua carreira para se dedicar à família. Acredito que isso pode ter sido uma tentativa de reparar a representação da figura paterna. Ele voltou aos estúdios somente no ano de 1980, em que lançou seu último disco “Double Fantasy”, ganhando o Grammy.

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John Lennon segurando Sean
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Yoko, Sean e John
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A mansão Tittenhurst

Quando o papai se mudou para Tittenhurst… foi a primeira vez que me ligou em muito tempo. Foi emocionante… vê-lo após tanto tempo. Na época… eu morava… eu não diria que era uma casa pequena, mas era uma situação diferente, a casa numa rua, com amigos… e Tittenhurst era um palácio enorme com 40 hectares… carrinhos de golfe, um lago… uma ilha no meio do lago. Parecia um parque de diversões. Foi uma experiência totalmente diferente… maravilhosa, adorei o lugar.  

Julian Lennon

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Julian com Sean

John acabou fazendo seu filho Julian sofrer do mesmo mal que passou em sua infância em Liverpool, a ausência da figura paterna abalou Julian, que mais tarde confessou sentir ciúmes da relação do pai com o irmão Sean e a madrasta Yoko, pois acreditava que não recebia a mesma atenção e afeto do pai.

Eu não vou mentir para Julian. Noventa por cento das pessoas neste planeta, especialmente no Ocidente, nasceram de uma garrafa de whisky em uma noite de sábado, sem intenção de ter filhos.

John Lennon

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Julian foi criado por sua mãe Cynthia. Certa vez perguntaram a ele, se era uma benção ou uma maldição ser filho de John Lennon, e ele respondeu que era mais uma maldição e que houve uma fase que costumava pensar como teria sido se ele tivesse crescido perto do pai, mas preferiu lutar para que esses pensamentos deixassem ele, pois não queria mais viver cercado de hipóteses e preferia não visitar mais o passado e apenas estar no presente.

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Cynthia e Julian
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Julian Lennon adulto

Crescer como filho de John Lennon foi um caminho árduo. Ao longo da minha vida, várias pessoas já me disseram: “Eu amava seu pai”. Eu sempre sou acometido por uma grande mistura de sentimentos quando ouço isso. Sei que papai foi um ídolo para milhões de pessoas que cresceram amando sua música e seus ideais. Para mim, contudo, ele não era um músico ou um ícone da paz, mas o pai que eu amava e que me decepcionou de muitas formas. Depois de 5 anos, quando meus pais se separaram, eu o vi poucas vezes. Quando nos encontrávamos, ele se mostrava distante e intimidador. Cresci ansiando por mais contato, mas me sentia rejeitado e pouco importante em sua vida.

Julian Lennon

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Julian e Cynthia

Papai foi um grande talento, um homem extraordinário que defendeu a paz e o amor no mundo. Porém, ao mesmo tempo, era muito difícil para ele mostrar um pouco de paz e amor pela sua primeira família – minha mãe e eu. Em muitos relatos de sua vida, eu e mamãe ou somos dispensados ou, na melhor das hipóteses, tratados como coadjuvantes insignificantes, o que, infelizmente, é algo que acontece até os dias de hoje. Entretanto, minha mãe foi seu primeiro grande amor e esteve com ele durante metade de sua vida adulta, da faculdade de arte à gênese dos Beatles, e posteriormente, ao seu avassalador sucesso mundial.

Julian Lennon

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Não me lembro de vê-lo como criança. Foi no auge dos Beatles, eu vivia trabalhando. Nunca pensei no efeito disso nele. A mãe dele estava em casa, eu estava longe… como a maioria aos 24 anos fica envolvida com a carreira. 

John Lennon

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O primeiro filho Julian com Cynthia e John

John foi obrigado a ser pai meio período. Ele me escrevia dizendo: “Cyn, estou triste e sinto muito por ter perdido o crescimento de Julian… por ele já ser um rapazinho. Sinto muito a falta dele. Tenho sido um maldito… porque não dei atenção a ele… eu o tirei da sala quando ele fez barulho…” Aí ele percebeu que era pai… e que Julian era… uma pessoa especial… não criação da imaginação dele, quando voltava para casa… no início.

Cynthia Powell (ex-esposa)

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Como todo ser humano, apesar da imagem de ídolo, John Lennon tinha seus defeitos e uma personalidade controversa, resultado de seus conflitos psíquicos e pelos traumas ocorridos durante a infância e adolescência. Em busca de satisfazer suas necessidades, em busca do prazer, ele apresentava atitudes que não correspondiam ao seu discurso de paz e amor, pois ele ainda estava em um processo de descoberta, autoconhecimento e apaziguamento com o passado para finalmente se sentir amado e ser amado.

Se o homem buscasse conhecer-se a si mesmo primeiramente, metade dos problemas do mundo estariam resolvidos.

John Lennon

TERAPIA DO GRITO, TRAUMAS E O PROCESSO CRIATIVO

Em profunda tristeza, John Lennon não conseguia mais sentir prazer em nada em que fazia antes (músicas, meditação e uso de drogas), então ele recorreu ao psicoterapeuta Arthur Janov. Este conhecido psicólogo desenvolveu a terapia primal, uma estratégia para tratar traumas psicológicos por meio do grito primário e do psicodrama, através desse tipo de terapia a tensão neurótica é liberada pela reexperiência, você cria uma nova cena para substituir a neurótica com o uso processo criativo.

Não se drogue por não ser capaz de suportar sua própria dor. Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo. As drogas me deram asas para voar, depois me tiraram o céu.

John Lennon

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O processo criativo de John Lennon para compor suas músicas, proporcionou um espaço para libertar e expressar sua insegurança, raiva, o peso da fama e seus relacionamentos complexos, usando como mecanismo de defesa a sublimação via trabalho artístico e movimentos sociais. Desse modo, ele conseguiu obter o prazer, mesmo sendo de uma forma indireta e assim, foi valorizado culturalmente pela sociedade que se identificou imediatamente com suas letras, pois ele abordava nelas aspectos universais de todo ser humano e suas angústias.

A arte é a expressão da mente, nossa vida é nossa arte.

John Lennon

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Com o avanço do processo artístico, John conseguiu aos poucos, aceitar seu vazio, sua falta, e se percebendo como solitário, ele se compreendeu melhor e possibilitou uma mudança, assim aconteceu seu processo de elaboração interna. Na música “How” (Como) composta em 1971, ele expressa esses sentimentos e o seu desconhecimento sobre o amor, ele se queixa e ao fazer isso, começou a pensar como reverter a dor e aprendeu a amar.

Como posso dar amor quando eu não
Sei o que é que eu estou a dar?
Como posso dar amor quando eu
Simplesmente não sei como dar?
Como posso dar amor quando o amor é algo
Que eu nunca tive?

Oh não, oh não

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Seguindo a terapia primal do psicólogo Arthur Janov, toda dor reprimida pode ser levada para a consciência e resolvida com a representação do trauma e expressão da dor. John Lennon prosseguiu com essa terapia durante muitos anos e o resultado foi positivo, o grito que libertou sua dor e as reconciliações internas com o passado traumático, foi expressado na canção “Mother”.

Mãe, você me teve
Mas eu nunca a tive
Eu te quis
Você não me quis

Então eu
Eu só tenho que te dizer
Adeus
Adeus

Pai, você me deixou
Mas eu nunca o deixei
Eu precisei de você
Você não precisou de mim

Então eu
Eu só tenho que te dizer
Adeus
Adeus

Crianças, não façam
O que eu fiz
Eu não pude caminhar
E tentei correr

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Dizendo adeus as figuras do seu passado (mãe e pai), John faz um movimento narcísico para deixar de investir em seus não-cuidadores do passado e voltou sua energia para si mesmo, superando seus traumas e fazendo um pedido de paz consigo mesmo, como foi expressado na canção “Dear John” (Querido John).

Querido John,
Não seja duro consigo mesmo.
Dê-se uma pausa.
A vida não era para ser corrida 
A corrida é longa, você venceu.

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Quando eu tinha 5 anos, minha mãe sempre me disse que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Eu escrevi “feliz”. Eles me disseram que eu não entendi a pergunta, e eu disse que eles não entendiam a vida.

John Lennon

NOVA YORK E O ASSASSINATO DE JOHN LENNON

Após o fim dos Beatles, na virada dos anos 70, John Lennon e Yoko Ono se mudaram para Nova York, foi lá que eles se adaptaram melhor, pois John não se sentia tão incomodado com as abordagens das pessoas e parece que Yoko era mais respeitada. Em Nova York, seu ativismo político de esquerda ganhou força, durante os shows John questionava o governo, no entanto, o presidente Richard Nixon e seus assessores interpretaram isso como uma ameaça à sua reeleição, então todos os obstáculos contra sua campanha antiguerra foram colocados e John foi apreendido por posse de drogas. Somente depois de quatro anos, em 1976 John Lennon conseguiu alcançar a cidadania.

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Yoko e John em frente ao edifício Dakota onde moravam

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Infelizmente, no dia 8 de dezembro de 1980, aconteceu a tragédia na entrada do edifício Dakota em Manhattan, John Lennon foi assassinado por um fã chamado Mark David Chapman, que disparou cinco tiros e quatro acertaram o músico. Mark David Chapman foi preso e condenado à prisão perpétua nos EUA. Após a notícia do assassinato, multidões juntaram-se ao lado do edifício Dakota para prestar uma última homenagem ao músico que militava pela paz e não violência.

Ou você se cansa lutando pela paz ou morre.

John Lennon

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O assassino Mark David Chapman

Horas antes de matar John Lennon, Mark David Chapman pediu um autógrafo. Ele foi era um jovem desequilibrado e dependente químico, em seu julgamento alegou ter lido em “O apanhador no Campo de Centeio” uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Nos anos 70, converteu-se ao Cristianismo, tornando-se um fanático religioso. Ele tinha uma relação de fascínio/ódio por John Lennon, essa ambivalência de sentimentos amo e odeio é muito característica de determinados transtornos mentais, acredito que ele seja esquizofrênico. Ao mesmo tempo que ele idolatrava as músicas de John Lennon, pois servia de inspiração, ele também criticava publicamente o estilo de vida luxuoso do músico e seus comentários religiosos, lembrando que John Lennon comparou Beatles a Jesus e disse mais de uma vez que Deus não existia.

Deus é um conceito pelo qual medimos o nosso sofrimento.

John Lennon

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Julian segurando uma foto de John

Uma triste observação é que da mesma forma que John perdeu sua mãe duas vezes, Julian perdeu John também duas vezes. Pai e filho tinham 17 anos quando sofreram a perda, e tinham apenas um ano de diferença de idade quando seus pais se separaram, Julian com 5 anos e John com 4 anos. Através da prática do genograma familiar, essas repetições do passado em gerações seguintes, são comuns de ocorrer. Ambos tiveram muito mágoa e dificuldade para perdoar.

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Yoko com o filho Sean no memorial Imagine dentro de Central Park, onde ela e John adoravam passear.

Lá fora no oceano que veleja afora
Eu quase não posso esperar
Para te ver mais velho
Mas eu acho que vamos apenas ter que ser paciente
Porque o caminho é longo
Uma vida dura para vencer
Sim é um caminho longo
Mas enquanto isso

Antes que você atravesse a rua
Segure minha mão
Vida é o que acontece a você
Enquanto você está ocupado fazendo outros planos

(trecho da música Beatiful boy que John fez para Sean)

Yoko Ono continua morando no mesmo apartamento que compartilhou muitos momentos com seu marido, no edifício Dakota em frente ao Central Park. O corpo de John Lennon foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, e as suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono. Não houve funeral à pedido da sua mulher.

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Viver rodeada de suas memórias é a parte mais difícil. Mas não quero me mudar porque é o lugar onde John e eu, nos últimos momentos, estivemos juntos.

Yoko

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O mundo é como uma festa em que entramos sem sermos convidados, e depois, saímos sem nos despedirmos.

John Lennon

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Imagine que não houvesse nenhum país

Não é difícil imaginar
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nem religião, também

Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo será como um só

Música Imagine 

TRAILER DOCUMENTÁRIO IMAGINE: JOHN LENNON

E você, tem antipatia ou gosta de Yoko Ono? Alguma informação não conhecia? Qual música dele gosta mais? Comente aqui embaixo para mim. Deixe seu like se você curtiu a biografia resumida/análise psicológica e compartilhe com seus amigos que gostam de John Lennon :)

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