Vazio - blog de psicologia Melkberg - ar - espaço - vazio

Vazio

Muitos que estão em sofrimento não sabem definir seu sentimento, alguns nem mesmo sabem que estão sofrendo, dizem sentir apenas um vazio. Esse é o vazio crônico que não cessa, torna a vida sem graça, uma desgraça esse tal de vazio. Podem chamá-lo de tédio.

Mas nesse vazio cabem muitas coisas e palavras, talvez você nem saiba. Ele é silencioso e pode ser perturbador em seu silêncio. Quanto mais exploramos o vazio, mais achamos o espaço que ele nos deixa e também nos falta, perante todas as situações ou realidades mal resolvidas.

Quando se sente cheio de vazio, o melhor é dar um espaço para ele também, explorar o vazio é dar significado a esse espaço, não é fácil não, mas pode dar certo e deixe o tédio de lado, que talvez ele não tenha nada a ver com seu vazio.

Descubra a melhor forma de preenchê-lo e de repente sumirá como o ar e se tornará algo nominável e não mais o vazio de todo sentido, assim como o ar.

2 comentários em “Vazio”

  1. Recanto das Letras é um site para divulgação de escritores independentes, e algumas vezes passo lá para ler alguns textos.
    E a duas semanas li um texto de uma moça intitulado “A tristeza precisa ser vivenciada”, e no texto ela diz a importância do sofrimento para nosso crescimento, e o quanto nós humanos não aceitamos ficar tristes, e vemos a tristeza como algo ruim e que deve ser evitado, como se a felicidade fosse um estado contínuo de sorrisos e prazeres, sem perceber que as grandes doses de felicidade surgem após momentos de feridas, aquela felicidade que mesmo na dor nos mantem com esperança de vida. E ela faz uma pergunta, “o que seria de nós sem os momentos de tristeza e melancolia?”
    Talvez seríamos outra pessoa, que passou por experiências diferentes, e construiu uma visão de mundo oposta da qual temos hoje. E experiência de sofrimento também influência em nosso grau de empatia. (Inclusive a analise de obras, como no caso de filmes, especificamente o terror psicológico, muitas vezes é determinado pela empatia, como o exemplo que citei uma vez sobre a experiência de um rapaz após ver Inner Senses 2002. Momentos diferentes de sua vida lhe deu uma opinião diferente sobre o filme).
    É como se o ser humano se completasse na dor, e determinadas visões e compreensões só surgissem após uma experiência de sofrimento, e fossemos forjados/evoluídos pela dor.

    Tristeza, um sentimento difícil de controlar, o quão complexo é o ser humano me assusta, de onde vem esse poder que é as emoções humanas? Algo tão poderoso que ao mesmo tempo que podemos controlá-las, usando as emoções para manipular as pessoas, elas também nos domina e nos leva ao suicídio.
    Temos em nós um poder que nenhuma outra espécie tem, e um poder que na maioria das vezes não conseguimos controlá-lo.
    Nós entre todos animais somos aqueles que matamos por sentimentos que saem do controle, não sabemos lidar com esse poder chamado emoções. Ao mesmo tempo que esses sentimentos nos fazem criar belas obras artísticas, ele também é uma bomba atômica.
    A tristeza é um acontecimento natural da vida, ninguém quer sofrer, mas ele nos lapida.
    As vezes um trauma, uma perda, serve para mergulharmos dentro de nós e encontrarmos preciosidades que só a dor consegue achar, é dai que surge a verdadeira felicidade. Agora a tristeza precisa ter prazo, ela não pode ser alimentada.
    Mas em muitos de nós ela é alimentada, e ela gera o vazio, que é a perda de significado, e lá não existe nada, viver ou morrer não tem diferença, o vazio total é mais que um tédio, é mais que um espaço que precisa ser preenchido por algo material, o mergulho total no vazio é um olhar gelado pra vida, onde nada mais importa, pois seu mundo interno já foi destruído.
    Esse estado profundo de vazio é o pior estado que um ser humano pode chegar, pois se na tristeza ainda existe esperança de mudança, no vazio não existe nada.
    Nesse ponto só uma mudança impactante de consciência capaz de mudar a visão de mundo e de nós mesmos. “Nossas crenças, emoções, nossos comportamentos e, inclusive, nossa saúde mental são produto da forma como pensamos a respeito de nós mesmos, dos outros, do mundo e do futuro”, “É importante entender como as pessoas entendem seu mundo” – Livro, As novas leis da psicologia – Peter Kinderman.

    É claro que falar de vazio é algo muito complicado, e existem diferentes tipos de vazio, tem aquele vazio que pode ser preenchido por algo, por um objetivo, uma causa.
    E como dito por você, ele pode passar, e independente de qual seja o vazio, ambos carregam a mesma reação que você escreveu, “ele é silencioso e pode se perturbador em seu silêncio”.
    Mas difícil é o impacto do vazio existencial, nesse estado vamos nos destruindo psicologicamente, até chegarmos na desesperança.
    Se fosse fácil sair de lá, mas infelizmente não é, um grito de desespero nasce dentro de você todos os dias, é como desejar sair correndo e fugir de tudo, pois nada mais faz sentido.
    Existe um curta chamado A Visita (La Visita), feito em 2005, baseado no conto de Josué Guimarães, que pertence ao livro O Cavalo Cego. A história fala sobre um homem que perdeu a esposa e vive isolado em sua casa, sem expectativa e esperança de vida, e passa as tardes relembrando da esposa Heloísa, o personagem recebe a visita da mulher (uma espécie de lembrança) e ela o incentiva a continuar a vida, mas ele não consegue.
    No final Heloísa vai embora restando apenas o silêncio que é quebrado pela canção Moonlight Sonata, e o personagem caminha até a janela da sala e olha o horizonte, um olhar vazio, sem vida, dizendo as palavras, “gostaria de parar de respirar”. Acho que essa frase define bem esse estado de profundo vazio.

    Apesar que não há como definir vazio em palavras, tem sensações que o vocabulário não expressa.
    A tristeza é construtora, o vazio nada constrói, a tristeza compõe melodias incríveis, a tristeza foi a semente para a composição da canção The Water Lily de Priscilla Herdman, a dor da perda, a dor transformada em música.
    É interessante que certas canções como essa te faz sentir uma espécie de conforto, mas porque uma dor tão terrível quanto a perda faz brotar uma melodia que traz conforto? (Aqui entraria a empatia), como que algo que nasceu da tristeza pode ser tão belo e consolador? Como é que nossa dor, que tanto nos machuca, pode construir coisas que jamais teria sido construído com a alegria?
    Será que a tristeza é bela, e a melodia é a materialização de uma dor que por mais dolorida, é capaz de lapidar riquezas em nós? Clifford T. Ward compôs a canção For Debbie and her Friends para a sua filha deficiente em cadeira de rodas, a dor de ver sua filha nesse estado fez brotar essa canção, triste situação, mas belíssima canção, a tristeza é complexa.
    Quantas obras não foram feitas pelo sofrimento? Sem feridas Charles Schulz nunca teria criado seus personagens das histórias Charlie Brown e Snoopy.
    Mas a tristeza pode deixar de construir quando chega o vazio. Pois o vazio nada constrói.
    O melhor sorriso é aquele que nasce da dor, as coisas mais belas surgiram de uma dor, sorrir é tão difícil, mas ele é tão gratificante, e faz a vida valer a pena.
    Os destroços nos modelam, o grande problema é suportar os destroços pra não cair nesse profundo vazio, e infelizmente de lá poucos voltam.

    Agora, analisando o vazio de outra forma, quero mencionar rapidamente sobre os espaços vazios no gênero terror, o vazio nesse caso é um vazio físico/local e não psicológico, (apesar de influenciar o psicológico).
    Como por exemplo um apartamento vazio em Dark Water 2002, ou uma cidade vazia em Kairo 2001 e The Screen at Kamchanod 2007.
    Ambientes vazios, um elemento infelizmente não considerado tão relevantes na produção de gêneros de terror.
    Poucos criadores diretor/roteirista entendem a importância dele no horror.
    Alguns diretores de filmes, curtas e games, usam muito bem esse elemento e entende o significado dele.
    Muito do horror asiático se utiliza de cenários vazios como uma simbologia do vazio dos personagens.
    Existem questões interessantes sobre como o ser humano lida com ambientes vazios ao seu redor, pelo que andei lendo, quando estamos em um ambiente vazio, uma cidade vazia, um metrô vazio, uma escola vazia, existe uma mistura de medo e nostalgia, em alguns isso apavora, em outros os ambientes trazem recordações, (pesquise ambientes vazios para ver que sensações eles despertam em você). Mas ainda precisa ter mais estudos sobre isso.

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