Mecanismo de Recompensa nas Compulsões

Toda compulsão começa por um ato impulsivo e prazeroso, porém com o decorrer do tempo o efeito recompensador se perde, fazendo com que o indivíduo repita o mesmo ato, porém esse comportamento de repetir vira algo excessivo em busca do prazer inicial, que ficou marcado em sua memória, através das várias sensações corporais. Ou seja, a compulsão estabelece um processo de dependência, sendo possível a ocorrência da síndrome de abstinência ao interromper o processo da compulsão.

Ao ler “síndrome de abstinência” a primeira ideia que nos remete é dos usuários de drogas, isso acontece de fato, mas pode ocorrer em qualquer compulsão, não apenas por substâncias, como também por: compras, jogos, sexo, comida, atividade física, trabalho, etc. Desse modo, ao decidir parar a compulsão, você pode experimentar todo o caos mental presente, sentindo reações desagradáveis, como: ansiedade em demasia, insônia, irritabilidade e, como consequência o alto risco de recaídas.

O sujeito compulsivo já possui uma personalidade (temperamento + caráter) que pré-dispõe a compulsão, mas ela só acontece se houver a combinação desses três fatores: genética, ambiente familiar e cultura do meio social. Agora, quem produz todos esses efeitos é o cérebro, aquele em que todo mecanismo de recompensa funciona, mas infelizmente ignoramos muitas coisas, por falta de informação. Dessa forma, espero que esse post seja esclarecedor.

Sistema mesolímbico dopaminérgico ou mecanismo de recompensa do cérebro corresponde à área tegmentalventral (VTA) e ao núcleoaccumbens. Essas estruturas estão localizadas na base do cérebro e se conectam por diversas regiões, através dos neurotransmissores. Na VTA e no núcleo accumbens são acionados o córtex pré-frontal, a amígdala e o hipocampo.

COMO SENTIMOS O PRAZER? O córtex pré-frontal é encarregado pelo raciocínio e planejamento do prazer, a amígdala dá a emoção da situação e o hipocampo memoriza todos os detalhes relacionados a satisfação e prazer gerado. Tudo é bem feito para permitir que essa sensação consiga ser lembrada, procurada e repetida pelos nossos pensamentos e nossas ações.

A grande responsável se chama dopamina, atuando como o neurotransmissor do prazer, ela consegue fazer o cérebro se sentir recompensado e buscar cada vez mais a sensação de prazer inicial.

Quando o cérebro entra em contato com novidades, situações de risco ou difíceis, ele entra num estado de estresse, isso libera o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina, resultando no aumento dos batimentos cardíacos, circulação sangüínea e disposição física. Quero deixar claro que um pouco de estresse, não faz mal a ninguém, em alguns casos, pode até gerar um estado de euforia satisfatório, como sentimos em filmes de terror, esportes radicais, montanha-russa, e etc. O estresse quando é planejado potencializa o prazer, situações que envolvem riscos podem ser prazeirosas para algumas pessoas. Porém, qualquer atividade normal quando vira um vício (compulsão), esse estresse deixa de ser saudável e se transforma em crônico, desgastante ao longo do tempo e produz o descontrole de suas ações.

O que acontece nesse momento é a retroalimentação do estresse pela amígdala e o hipocampo, que são repletos de receptores de cortisol, provocando cada vez mais ansiedade, falta de controle, desespero, dependência e pensamentos obsessivos. Não só o comportamento é compulsivo, mas todas essas substâncias químicas (adrenalina, noradrenalina, cortisol e dopamina) do cérebro estão sendo produzidas em excesso, o que torna o mecanismo de recompensa tolerante à elas. O ciclo já se estabeleceu! Com mais tolerância, existe mais a necessidade de buscar o antigo prazer que foi marcado na memória pelo hipocampo. Outro neurotransmissor envolvido com o decorrer do ciclo é a serotonina, ela vai se alternando e provoca os efeitos do estresse mais prolongados, evidentes e prejudiciais.

Apesar do mecanismo ser bioquímico, e as estruturas biológicas do cérebro estarem disfuncionais, o tratamento psicológico é essencial nas compulsões, pois a falta de motivação e prazer para atividades em geral, a depressão, o comportamento autodestrutivo, a possibilidade de recaídas e a dificuldade de perceber e sentir as recompensas naturais da vida (uma boa música, conversa, passeio, leitura, jantar, etc), geram mais um obstáculo para a recuperação do quadro clínico de compulsão.

O ciclo da compulsão deixa marcas visualmente detectadas pelos exames de imagem cerebral. Devido ao vício, o cérebro fica vulnerável as tentações, sendo facilmente influenciado por qualquer estímulo, já que existe o comprometimento da estrutura responsável por isso que é o lobo parietal, e com a perda da tomada de decisões realizadas no lobo pré-frontal, a capacidade de usar a razão para compreender se tal atividade é realmente necessária, não ocorre da maneira saudável, formando um indivíduo escravo do vício que ele próprio criou e não consegue mais se libertar tão facilmente.

Caso você reconheça que possui algum tipo de compulsão, o aconselhamento de um médico e psicólogo é indispensável. E se você, apenas quer mais posts sobre compulsões, é só comentar ou dar o seu like para eu dar continuidade ao meu trabalho :)

 

 

Imagem – Pinterest

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